CARNAVAL
A alegria invade os corações,
a euforia está contida em cada lar, nas conversas, nos planos
para os três dias de euforia. Há os que invadem as
ruas e avenidas das cidades, pequenas ou grandes acompanhados, em
blocos ou solitários como os foliões de antigamente
e, os que se isolam em lugares plácidos e belos, se fecham
em orações e invocações de Deus, jejuam
e esperam um milagre, um raio de luz que viesse resoluto e firme
do centro do céu e iluminasse a mente das pessoas e aquecessem
os seus corações para que amassem uns aos outros,
que esquecessem os ódios remoídos há anos até
mesmo por coisas inimagináveis que jamais aconteceram e que
a inveja, a calunia e a difamação fosse a partir daí,
apenas objeto de estudo de doenças psíquicas extintas
da humanidade e que o mundo hoje fosse só de amor, que as
flores nascessem mais belas a cada amanhecer e o seu perfume inebriante
exalasse hipnotizasse as mentes e os corações e as
pessoas se ajudassem e falassem só de amor, que a violência
fosse um vírus isolado definitivamente varrido de nosso convívio
e que ficasse estabelecido entre os humanos a estação
do amor...
Dentro de algumas horas, estaremos, nos,
viventes do planeta agonizante chamado terra contagiada pela maior
das festas, o carnaval aonde os foliões irão além
de seus limites de força, e se esbaldarão em dispêndio
de energia em uma euforia quase insana de incontida alegria, será
como se todas as tristezas fossem momentaneamente expulsas de seus
corações, que como se por milagre as suas contas bancárias
engordassem tanto e que fosse possível mudar de vida, enriquecer,
elevar o status social e enveredar pelas festas ainda que sonâmbulos
em cada madrugada e pudessem desejar que aquilo nunca acabasse,
fosse o apogeu e a própria gloria, afinal, as tristezas haviam
partido e tudo era só festa alegria e incontido contentamento...
Já faz muito tempo que eu brinquei
carnaval, tive os mesmos ímpetos e muitas das vezes esperava
por ele o ano inteiro, desde os meus dezoito anos de idade, quando
em uma matinal de um clube social eu amei pela primeira vez, no
meio do salão, entre algazarra blocos e foliões mais
eufóricos que se empurravam em incontida alegria, eu conseguia
acompanhar o ritmo das marchinhas e ainda roubar-te beijos, como
era bom aquela época, quase todos se conheciam e o carnaval
era uma festa mesmo, e o meu primeiro amor, que não era nem
uma atriz da Globo, mais uma menina simples e alegre, chama-se Irany
e, para contrariar a musica que diz que amor de carnaval desaparece
na fumaça, hoje nós já temos mais de cinqüenta
anos, nem sei por onde ela anda ou se ainda vive mais me lembro
como se fosse hoje, aquela festa e ainda sinto nos lábios
o calor do primeiro beijo e, as vezes nas madrugadas insones eu
me pergunto: será amor!?
Porque hoje eu me preocupo com os meus
filhos e com a juventude em suas inocências, ameaçados
que são pela falta de respeito que tomou conta daquilo que
restou do que era o carnaval, e vejo a juventude órfão
de segurança e a mercê da violência e ameaçado
pelas drogas e o excesso de álcool, das armas, dos desastres,
dos ladrões de vidas, daqueles que ameaçam a inocência
e roubam toda a decência que a sociedade luta para manter.
Mais amanhã, será carnaval
e muitos não brincaram o próximo, até mesmo
por imprudência e falta de capacidade de administrar até
mesmo um estado de espírito, a euforia mais eu vou torcer
muito por todos vocês e esperar que a alegria seja vencedora
e que tenhamos um saldo positivo frente a anos passados que fatos
inusitados tiraram o brilho e transformou em tristeza a alegria
de muita gente e, se o primeiro amor de minha vida ler esse artigo,
que decline se o que eu ainda sinto por ela pode se chamar de amor
ou uma paixão de um caso indefinido e que o tempo não
consegui apagar de minha mente, para todos, um feliz carnaval
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