Jornal Evangélico
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Airton Gondim Feitosa
Jornalista
tributaryagf@yahoo.com.br

 

CARNAVAL

A alegria invade os corações, a euforia está contida em cada lar, nas conversas, nos planos para os três dias de euforia. Há os que invadem as ruas e avenidas das cidades, pequenas ou grandes acompanhados, em blocos ou solitários como os foliões de antigamente e, os que se isolam em lugares plácidos e belos, se fecham em orações e invocações de Deus, jejuam e esperam um milagre, um raio de luz que viesse resoluto e firme do centro do céu e iluminasse a mente das pessoas e aquecessem os seus corações para que amassem uns aos outros, que esquecessem os ódios remoídos há anos até mesmo por coisas inimagináveis que jamais aconteceram e que a inveja, a calunia e a difamação fosse a partir daí, apenas objeto de estudo de doenças psíquicas extintas da humanidade e que o mundo hoje fosse só de amor, que as flores nascessem mais belas a cada amanhecer e o seu perfume inebriante exalasse hipnotizasse as mentes e os corações e as pessoas se ajudassem e falassem só de amor, que a violência fosse um vírus isolado definitivamente varrido de nosso convívio e que ficasse estabelecido entre os humanos a estação do amor...

Dentro de algumas horas, estaremos, nos, viventes do planeta agonizante chamado terra contagiada pela maior das festas, o carnaval aonde os foliões irão além de seus limites de força, e se esbaldarão em dispêndio de energia em uma euforia quase insana de incontida alegria, será como se todas as tristezas fossem momentaneamente expulsas de seus corações, que como se por milagre as suas contas bancárias engordassem tanto e que fosse possível mudar de vida, enriquecer, elevar o status social e enveredar pelas festas ainda que sonâmbulos em cada madrugada e pudessem desejar que aquilo nunca acabasse, fosse o apogeu e a própria gloria, afinal, as tristezas haviam partido e tudo era só festa alegria e incontido contentamento...

Já faz muito tempo que eu brinquei carnaval, tive os mesmos ímpetos e muitas das vezes esperava por ele o ano inteiro, desde os meus dezoito anos de idade, quando em uma matinal de um clube social eu amei pela primeira vez, no meio do salão, entre algazarra blocos e foliões mais eufóricos que se empurravam em incontida alegria, eu conseguia acompanhar o ritmo das marchinhas e ainda roubar-te beijos, como era bom aquela época, quase todos se conheciam e o carnaval era uma festa mesmo, e o meu primeiro amor, que não era nem uma atriz da Globo, mais uma menina simples e alegre, chama-se Irany e, para contrariar a musica que diz que amor de carnaval desaparece na fumaça, hoje nós já temos mais de cinqüenta anos, nem sei por onde ela anda ou se ainda vive mais me lembro como se fosse hoje, aquela festa e ainda sinto nos lábios o calor do primeiro beijo e, as vezes nas madrugadas insones eu me pergunto: será amor!?

Porque hoje eu me preocupo com os meus filhos e com a juventude em suas inocências, ameaçados que são pela falta de respeito que tomou conta daquilo que restou do que era o carnaval, e vejo a juventude órfão de segurança e a mercê da violência e ameaçado pelas drogas e o excesso de álcool, das armas, dos desastres, dos ladrões de vidas, daqueles que ameaçam a inocência e roubam toda a decência que a sociedade luta para manter.

Mais amanhã, será carnaval e muitos não brincaram o próximo, até mesmo por imprudência e falta de capacidade de administrar até mesmo um estado de espírito, a euforia mais eu vou torcer muito por todos vocês e esperar que a alegria seja vencedora e que tenhamos um saldo positivo frente a anos passados que fatos inusitados tiraram o brilho e transformou em tristeza a alegria de muita gente e, se o primeiro amor de minha vida ler esse artigo, que decline se o que eu ainda sinto por ela pode se chamar de amor ou uma paixão de um caso indefinido e que o tempo não consegui apagar de minha mente, para todos, um feliz carnaval



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