Jornal Evangélico
do Amapá

TEMPO AGORA

                                     
 
 
 
 
 
   Nome:
  
    E-mail:
  
 
   Cadastrar
   Descadastrar
 
 
 
Airton Gondim Feitosa
Jornalista.
tributaryagf@yahoo.com.br

 

NAS ENTRANHAS DA MORTE

                        A minha profissão me leva a fazer continuas viagens rompendo os céus do Brasil, em aeronaves inseguras, pousando e decolando de aeroportos de alto risco.

                        Não bastasse a crise do sistema de controle de vôos, o perigo é ainda maior e o pânico é geral, afinal, o transporte mais rápido e seguro do planeta, no nosso pais, a cada embarque não sabemos onde ou quando desembarcamos... É a incógnita que subsiste nos corações de aflitos passageiros da aviação brasileira. Ressurge o binômio bem e mal que surgem de alguma maneira, por influencia de interesses: um de gordas recompensas que um negocio cada vez mais atrativo faz e do outro, de pessoas comuns que precisam viajar sem saber se chegam ou não aos seus destinos ou se os instrumentos da navegação aérea brasileira seriam cegos?

                          Dentro da aeronave sinistra ante o derradeiro segundo, quantos monólogos, suplicas ou mesmo preces foram proferidas, escutadas somente no santuário de almas ingênuas de vidas ceifadas. Quantas tempestades nasceram e se desfizeram sem sequer saírem do fundo dos corações, mais que desta feita, emitiu-se o raio e se não ouviram o estrondo, selando destinos e antecipando a ultima viagem de homens, mulheres e crianças que só pediam para viver...

                        Nos clichês das companhias aéreas dos aeroportos, pessoas desesperadas pediam, encareciam de perguntas, todos os mesmos pensamentos, o aperto no peito, mo sufocam de ver estampado no rosto de funcionários plasmados pela impotência em elegias  e diritambos e lançar exclamações de impaciência como se respondesse a um espectador de cinema, de que faltara energia, mais que logo reiniciaria a sessão da tarde.

                       Antes, do alto de um prédio, um morador solitário observava os riscos formados pelas gotas de chuva contra o fundo acinzentado da atmosfera, uma espécie de caneluras   semelhantes aos jatos caprichosos dos filetes coloridos incrustados em vidro; ou os turbilhões de água branca que o vento fez rolar como uma poeira luminosa contra a pista assassina do aeroporto de congonhas.

                      Dentro da aeronave, sentada em uma poltrona que não teria mais numero, sem saber sequer o que se desenrolava, sabia pela sua intuição, pois dentro do seu cérebro que naquele exato momento se havia enfileirado secretamente em uma linha de raciocínio, ainda que violentamente impelido pelo medo, não ouviu a explosão que lhe tirara a vida. Doravante, seus olhos não se fixam mais no amanhã, assim como nas escrituras o hoje se lhe bastou... O luto popular é provocado não pela morte da jovem da poltrona sem numero, mais por duas centenas de vidas perdidas ao caso ou acaso mais, através de todas as realidades bruscamente e amplamente dilaceradas deixa, de repente, o ideal mais sóbrio e mais trágico de que viajamos nas entranhas da morte.




 
 
Amapá Digital © 2007 • Todos os direitos reservado