Tecnologia e Internet
Atualmente é uma tarefa difícil entender o limite da abrangência daquilo que conhecemos como tecnologia, tudo que sabemos é que precisamos muito dela, apesar de que em alguns casos muitos nem sabem o motivo.
Lecionando para acadêmicos do curso de Administração, em diversas vezes, mencionei que o mundo está divido em dois tipos de empresa: as que estão na internet e as que não estão. Para eles o pensamento ficou claro e creio ter passado esta lição. Se a internet (ou web como também é chamada) é importante para as empresas, qual será a importância desta para cada um de nós, já que muitos serviços da esfera pública e privada já estão disponíveis na grande rede?
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador importante para qualquer país, e utiliza como critérios indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). Como recentemente o governo federal alterou a metodologia do cálculo do nosso PIB. (Produto Interno Bruto), nada mais justo, já que os parâmetros utilizados eram os mesmos desde antes da globalização. Será que não seria interessante acrescentar ao IDH o provimento e a qualidade de serviço da internet?
Neste contexto existem alguns pontos a abordar: o provimento local e o enlace do estado com restante do país. No âmbito local a satisfação dos clientes é parcial, é claro que notícia ruim sempre anda mais rápido que as boas, mas, as boas estão andando muito lentamente. Muitos não conseguem discar para seus provedores em determinadas horas (creio que o tradicional jogo de Paciência poderia ser trocado pelo discador em alguns casos), os usuários de rádio têm vantagens sobre os utilizam a linha discada, pois a conexão é executada de forma mais facilitada, e lamentavelmente, os usuários deste tipo de serviço (em alguns casos) não têm garantia de banda (fator determinante à velocidade) para eles.
Abordando o enlace do estado com o restante do país, temos o que é possível chamar de maior problema de conectividade que temos, pois enquanto é possível acessar os sites hospedados no estado com velocidade razoável, os demais nos retornam com uma demora descomunal, seria o caso da implantação definitiva da banda larga? Muitos não sabem, mas, o Amapá é um dos dois estados brasileiros que não provém este tipo de serviço. Neste cenário, incluindo o acesso a internet no IDH, o índice do estado seria uma calamidade.
O pior é imaginar que o atual cenário é favorável para a inclusão digital doméstica, ou seja, o computador nunca esteve tão perto da casa do brasileiro. O dólar estável, a economia sólida e o lançamento do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) seria a conjuntura ideal para que todos tivessem acesso à tecnologia da informação e comunicação, se justamente, todos pudessem acessar a internet (local e nacional) com qualidade e rapidez. Este problema tende a se agravar com o aumento de números de usuários domésticos e da inclusão das escolas de ensino fundamental como usuárias do serviço em conseqüência de projetos federais orientados à educação.
Existem dois caminhos a seguir: lamentarmos não termos acesso às tecnologias que quase todo o país tem, ou nos mobilizar de forma a termos os mesmos direitos dos demais habitantes do país. Isto implica em cobrar dos parlamentares uma postura mais incisiva sobre o assunto e, de preferência que estes nos tragam respostas em respeito à população que o colocou lá.
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