Internet e o Brasil
Todos sabemos que os americanos adoram indicadores, e os criam a uma velocidade estupenda, não sou contra o ato, até vejo vantagens significativas, e aproveito para apresentar a vocês o índice de penetração (comparação entre a quantidade de pessoas que freqüentam a web e a população total do país). Neste índice (tomando por base a América Latina), só ficamos à frente da Colômbia com 9%, os melhores colocados são: Chile com 45%, a Argentina com 24% e México com 14%. Os dados foram divulgados pela empresa americana comStore que utiliza em sua pesquisa dados da população à partir de 15 anos.
O país do contraste não pararia por aí, no Brasil, em junho, 15,8 milhões de brasileiros visitaram pelo menos uma página da internet, bem acima do segundo colocado, o México, com 10,7 milhões. No entanto, esse número representa apenas 11% da população do Brasil com pelo menos 15 anos de idade. Como podemos ver, a necessidade da criação de novos índices serve para que possamos ter dados reais para todas as possibilidades de entendimento de cada segmento de mercado possível de ser explorado socialmente, e, principalmente, de forma comercial. Outro fator contrastante, é que o Brasil ao lado da Argentina, são os países de maior média de horas na internet com 32 horas enquanto a média mundial é de 25.
Seguindo outra metodologia o Ibope/NetRatings, tem outros indicadores usados mundialmente, neles o Brasil tem posição destacada O tempo médio de navegação do brasileiro é um recorde mundial. Em junho, a média mensal registrada foi de 22 horas e 26 minutos por internauta. O crescimento anual de horas navegadas é de 9,2%. Seguem o Brasil no ranking a França, com 19 horas e 43 minutos de navegação por pessoa, os Estados Unidos (19 horas e 5 minutos) e a Austrália e o Japão, com 17 horas e 55 minutos por usuário cada.
Estamos vivendo um bom momento econômico, com boas reservas, aumento da taxa emprego (ainda passíveis de melhorar significativamente) e maior disponibilidade de crédito para todos, quem diria que em alguns anos atrás seria possível comprar câmera digital a prazo sem precisar comprovar renda? Aliado a baixa do dólar (que anda subindo estes dias) e medidas que permitem um acesso maior aos computadores portáteis ou não à população, podem nos levar a conclusão de que estes indicadores vão continuar sofrendo alterações que não serão discretas, até porque segundo pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, no final de 2006, 54% da população nunca usaram computadores e 67% a internet.
Outro fator importante neste contexto é o GESAC, que é o programa destinado à inclusão digital do Ministério das Telecomunicações, o plano tem a meta de gerar 20 pontos de acessos gratuitos com banda larga por todo o país, sendo que a metade serão em escolas públicas (atualmente são 3,3 mil pontos contemplando mais de dois mil municípios).
Claro que o governo federal está tentando fazer a sua parte, as mudanças não irão ocorrer de dia para a noite, afinal de contas o cenário criado e o seu controle criam uma conjuntura totalmente favorável para que de fato todos tenham acesso a tecnologia da informação de forma democrática e sem restrições, inclusive de seus lares.
Se quase todos tivessem acesso à internet e a informação que normalmente só é divulgada neste meio de comunicação, alguns parlamentares sequer seriam suplentes em nosso congresso; o cidadão poderia marcar sua consulta no posto de saúde sem sair de casa; verificar o pagamento de seus benefícios; acompanhar o andamento de processos no judiciário, etc.
Bem vinda tecnologia da informação, que o povo brasileiro tenha todas as condições possíveis e imaginárias para poder ter esta importante ferramenta e fator de progresso cada vez mais próxima de todos.
Enquanto isso na Região Norte ...
Alguns dados relativos a nossa região, segundo a pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil:
- 89,61% é o percentual de domicílios sem computador
- 36,72% é o percentual de pessoas com renda entre R$1001 a R$1800 que tem computador em casa
- 6,15% é o percentual de domicílios com acesso a internet
- 34,37% acessam internet até 128 Kpbs
- 55,62% apontam o custo elevado da banda larga para aquisição
- 21,44% acham que não há necessidade de adquirir o serviço de banda larga
- 15,06% acusam a falta de disponibilidade da infra-estrutura de banda larga para a aquisição do serviço
- 69,83% apontam como o maior problema para acessar a internet a falta de computador ou o custo do equipamento é muito elevado
Existem muitas atividades por fazer em nossa região, o que dizer no estado então? Até porque, as perguntas de número 4, 5, 6 e 7 nem precisariam serem feitas no Amapá, ora por falta de infra-estrutura, ora por ser inviável economicamente. Só para ilustrar o que falo, em Belém, meus pais tem em suas casas (cada um) uma conexão de 1 Mbps, quase dez vezes mais que muitas Lan Houses do estado, a um custo acessível, com diversos serviços agregados que aumentam a satisfação deles para com a operadora. |