O ATOR DE LER
Talvez boa parte dos meus leitores desconheça que além da atividade jornalística – que exerço há 13 anos – sou servidor público e atuo como docente na área de educação especial, mais especificamente com deficiência mental. Fazendo mea culpa, reconheço que tenho escrito pouco neste espaço sobre temas ligados à educação. Vou procurar me redimir com meus pares, abordando a questão da leitura.
A população escolarizada no Brasil é deficiente, existindo o fato já bastante divulgado de 4 milhões de crianças dos sete aos 14 anos estarem fora das escolas. Para que o país consiga vencer os graves problemas sociais que atravessa, inclusive o da educação, será preciso que se comece na infância a corrigir tais distorções. O incremento do hábito de leitura seria um dos primeiros passos.
Os pais devem considerar o livro como um instrumento com que a criança tenha um relacionamento íntimo, no qual vai aprender lições que ajudarão muito na sua formação posterior. Se uma criança não possui o gosto pela leitura na infância, na adolescência ou na fase adulta as coisas se tornarão difíceis.
No Exterior existem cadeiras de literatura infantil até em nível de pós-graduação. No Brasil, já tivemos nos institutos de Educação o curso de literatura infantil, mas foi estranhamente desativado. Isso demonstra o quanto a nossa literatura infanto-juvenil é desprezada pelas autoridades.
A pré-escola é o grande momento onde deve haver um estímulo à leitura. Essa relação deve ser bem natural, e de forma lúdica, tanto em casa quanto na escola. Mas temos uma grande preocupação com o que a criança realmente deseja. Afinal, o que ela pensa sobre os títulos que estão a sua disposição?
Por fim, sendo ela a maior interessada, é justo que se faça um levantamento nacional sobre as aspirações do nosso público infanto-juvenil, isso evitaria o pseudodidatismo que pode ser detectado em muitas obras. |