Jornal Evangélico
do Amapá

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Renivaldo Costa
Jornalista e Educador.

 

SEM TER O QUE ESCREVER

Se a intenção era escrever, comecei. Já não era sem tempo. Pois sempre falta um tema pertinente. No início do ano mesmo, me vi sem tema e tive que recorrer a um assunto que mobilizou todos os frequentadores do Bar do Abreu: a forma equivocada como as empresas enrolam o papel higiênico. Até o Fernando Canto interveio para explicar sobre a utilidade das calandras nesse aspecto.

Você começa a escrever e sempre perde o fio da meada, ou a auto-crítica acaba por amassar o papel e jogá-lo longe. Sim eu ainda escrevo em papel; é…com lápis ou caneta, rabiscos, furos, assim: romântico e ao mesmo tempo visceral (vai rabiscar uma frase que você achou uma merda, lá no computador, vai).

Descobri, também, que não só gosto de escrever em papel como também gosto de escrever sozinho. Logicamente que escrever sozinho é uma redundância pois a escrita tem seu charme exatamente no fato de disponibilizar este encontro íntimo autor-obra. Repare que não está no plural.

Escrevendo, e só escrevendo, você percebe o quanto isso desenvolve, por exemplo, a inteligência. Você pode escrever sobre alguém muito inteligente talvez um Nobel de física. Escrever desenvolve suas habilidades sociais. Um copo de cerveja, amigos, você vai escrever como nunca.

Por conta de escrever você acaba criando um certo senso crítico captador de temas e é aí que você pode sofrer baixas. Se por algum motivo seu senso crítico captador de temas ficar confuso ou incomunicável, você acaba despejando-desperdiçando muitas letras e energia falando sobre coisas que nada interessam. Isso costuma ter uma frequência inimaginável e se tradz em um termo bastante explicativo e portanto claro: picaretagem crônica (ou vice-versa). Nos idos da ditadura (já vai tarde!) espaços ocupados por receitas e poesias eram usados…bom você deve conhecer esta história; mas só que você não percebeu é que uma poesia ou receita ocupavam com louvor o lugar de muitas colunas e/ou textos que hoje estão aí: picareteando. >

Porque não acabar com isso, porque os jornais têm que ser imensos, porque as revistas têm que ser semanais? Escreve quando tiver o que escrever e pronto! Ah! e quer saber? Acho que já deu o número de caracteres da minha coluna e vou acabar aqui mesmo. Tô de saco cheio dessa vida! Tchau.




 
 
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