Jornal Evangélico
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Wellington Silva
Articulista e Acadêmico de História/Amapá

Maquinações planejadas

Certas coisas, veiculadas na mídia de forma direcionada, quando não induzem a opinião pública a determinada situação planejada, acabam confundindo a opinião pública. É o que chamamos de informações plantadas, propositalmente, sem a suficiência de elementos provados legalmente. Elas surgem repentinamente, às vezes  de forma sistemática, para ocultar a origem dos fatos e, até mesmo, esconder os verdadeiros culpados.

Os cartéis plantados na rede pública estadual de saúde vem de longe. O período de engorda se deu no governo do falido PDSA, época em que Antenor Ferrari ditava e conduzia processos, incólume, com super-poderes. Depois, repentinamente saiu de cena da vida pública do Estado, deixando o erário a ver navios, em local incerto e não sabido. O certo é que, para acabar com este velho e viciado corporativismo, somente um bom administrador ou um economista sério, da mais alta confiança moral e política.

Neste País de leis carnavalescas onde tudo ou quase tudo é perdoado, graças as brechas favorecedoras da lei,  a inversão gritante de valores chega a ser uma completa e total aberração. O sucessor ao cargo de governador de Estado, por exemplo, eleito pelo grande sufrágio popular, acaba sendo o grande responsável por todas as dívidas de seu sucessor, inclusive as cagadas. O responsável pelo ilícito, o antecessor, o governador derrotado nas urnas eleitorais, dificilmente restitui algum valor  ao  erário público. Erário que o seu sucessor, democraticamente legal, imbuído do cargo de governador do Estado, passa a ser o responsável pelo montante de dívidas que não produziu.

E ninguém, no Congresso Nacional, tem a preocupação de mudar este panorama indecente da vida pública nacional. É um cenário real que engessa as boas intenções, sepulta bons projetos e, consequentemente, melhores e maiores benefícios à comunidade.  Para piorar a situação, lobistas no Congresso Nacional formam fileiras com a intenção descarada de imacular de forma inatingível políticos e gestores públicos acusados de ilícitos. Pretendem piorar para o próximo a situação de toda a carga de problemas. São as chamadas e conhecidas bombas de retardo.

Desde o início de seu governo, Waldez Góes tem se deparado com situações de dívidas e de processos e ilícitos que tiveram sua origem, cria e engorda na gestão anterior. São casos e mais casos rolando na justiça, sob auditoria, no Ministério Público, na Prog, etc, originados em diversos setores da vida pública estadual, que a população desconhece.

Avesso a estardalhaços e a cenas politiqueiras, como muito se via no passado de parte de quem não tinha o que fazer, Waldez tem estritamente se pautado  no cumprimento diário da agenda de compromissos do Estado. O governador já solicitou cópias de  seus extratos bancários, desde 2002, a fim de sepultar falácias politiqueiras sobre depósitos feitos nelas. Tem determinado apurações de toda ordem, doa a quem doer.

Não é demais repetir que foi o primeiro chefe de executivo estadual, a nível nacional, a cumprir com rigor a lei de responsabilidade fiscal.

Apesar de setores da mídia nacional insistirem que Lula sabia de tudo, hoje me convenço que o presidente teve uma baita surpresa e grande decepção com alguns auxiliares mais próximos,  gente que, sabemos, ávidos por poder, nunca tinham visto orçamento e dinheiro na vida. Dispensável dizer que Onisciente, Onividente e Onipresente só Deus.

Além do mais, nem a milenar cartomancia poderia prever as peripécias inesperadas dos auxiliares e de gente mais próxima do presidente Lula. É o chamado fogo      “amigo” , que de tão amigo colocou até em dúvida as palavras de inocência, perplexidade e desconhecimento do presidente.

O sistema democrático republicano brasileiro, isto é, a constituição dos poderes e a forma de governo, induz legalmente o gestor a nomear pessoas para o exercício dos chamados cargos de confiança. Ocorre que, se os cargos são de confiança, alguns  ocupantes não são. Alguns podem até ser profissionalmente e estratégicamente competentes. Moralmente, são como vampiros sugadores do dinheiro público, principalmente quando não sabem o que é o poder.  Como não se tem bola de cristal para que o gestor possa prever quem é quem no governo ele sempre corre o risco do crédito do ônus e do bônus.

Existem duras lições administrativas históricas, algumas partidas de homens que somente produziram desgraças para a humanidade, como Adolf Hitler e Stalin, e do nosso conhecido comandante Annibal Barcellos Ele que em sua gestão conseguiu transformar o Amapá de território federativo para Estado, dotando-o de infraestrutura necessária para a época.   

No filme A Queda, quando  o anti-cristo (Adolf Hitler) já estava confinado em seu abrigo subterrâneo (bunker) , na Alemanha, e os soldados russos, ingleses e americanos tinham dominado Berlim, o mesmo tomou conhecimento, muito colérico, que seus maiores e melhores homens de confiança, tais como Von Ribentrop e Herman Goering, comandante em chefe da força aérea alemã,  tinham se rendido ou abandonado a capital e o País. Colérico e furioso, além do limite, chamou todos de covardes e traidores e afirmou que Stalin estava certo ao centralizar todo o poder de decisão administrativa e das armas em suas mãos. Uma dura verdade histórica, mesmo que analisada por um monstro louco no final de seus últimos dias, abandonado e só,  após construir e ver desmoronar um império de pura barbárie.

Barcellos até hoje é conhecido como um homem prático e de poucas palavras. Tinha sob seu controle o poder de decisão de autorizar ou desautorizar qualquer pagamento. Não admitia que nenhum secretário tomasse qualquer decisão estratégica, que envolvesse grande soma de recursos, sem a sua avaliação e autorizo.

Certa vez, indagado por um gestor de determinada pasta de seu governo, que queria obter maior autonomia gerencial financeira, o comandante respondeu, de forma curta e grossa, sem pestanejar :

“No meu não fulano. Se estiver insatisfeito, te dou demissão” . 

 



 
 
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