Jornal Evangélico
do Amapá

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Wellington Silva
Articulista e Acadêmico de História/Amapá

Mocinhos ecológicos, o homem e o meio ambiente

Preocupante a situação climática de nosso planeta diagnosticada por cientistas e especialistas da área. O assunto é sério, é global, e não pode ser tratado de forma hipócrita e tendenciosa.

De repente, nós, habitantes da imensa e cobiçada região Amazônica estamos antecipadamente sendo um dos principais culpados pelo efeito estufa. É como se a causa e efeito de todo mal ambiental sentido no planeta Terra tivesse sua origem e desenvolvimento em nossas terras amazônicas.

O que mais impressiona é o coral de ressonância que tal estratégia de propaganda funesta encontra na tela do plim, plim . E coitados de nossos pobres caboclos, ribeirinhos, pescadores, agricultores e extrativistas, que vivem de uma simples cultura hereditária de sobrevivência.

A inquisição internacional baixou a sentença e fim de papo, com caixa de ressonância direta no Fantástico.

Na verdade, somos sim culpados pela lei da intocabilidade da floresta. E  tudo e por tudo, às custas da fome, da histórica exploração internacional e da histórica perseguição contra nosso humilde e sofrido povo amazônico.

Façam-me o  favor:
Dêem uma olhada geral na cidade de Detroit, nos Estados Unidos da América, e tentem visualizar a cor do céu, negro e fumacento, carregado de fuligem. Chega a ser negro como a entrada da porta do inferno de Dante.. Tentem respirar ouvindo Breath in the air (respire no ar) , uma composição de Roger Waters e Dave Gilmour, ambos, lideranças do lendário Pink Floyd. Filmem tudo, principalmente os monstruosos diâmetros circunferênciais das bocas das chaminês de cada fábrica, cada uma do tamanho de um telhado de uma casa da classe média brasileira.

Levem os gringos malas da WWF e do Greenpeace para protestar e pendurar faixas nas chaminés assim como penduraram no Cristo Redentor. Aqui, na Amazônia, estas figurinhas já estão acostumadas a ditar regras e normas para nossa desvalida comunidade.  Levem eles para ilustrar a reportagem, isso, se tiverem ousadia para enfrentar o poder manipulador das multinacionais ali instaladas.

O leitor  percebe a diferença  ?
Falar em ousadia o lendário Pink Floyd precisou de muita para lançar em 1977 o conhecido álbum Animals (animais) . A capa mostra uma dessas monstruosas fábricas, cercada por um céu negro.
Pigs on the wing (porcos de asas) , pigs in the air (porcos no ar) , ah ! ah ! charade you are ... ( ah! ah! você sabe a charada ...) escreveu e cantou indignado Rogers Waters.

Quem acompanha a carreira da banda e “ manja “ um pouco de inglês e da mensagem filosófica do grupo bem sabe do que estou falando.  

A cidade de Detroit assim como a de Boston, somadas suas fábricas, carrões turbinados  e ônibus, com acréscimo de toda a poluição de outros estados americanos assim como a extinção de suas florestas e de comunidades indígenas, não tenham dúvidas, historicamente vem contribuindo para a poluição da terra e para a eliminação de culturas.

De que adiantou então, senhores mocinhos ecológicos, engessar o crescimento do Estado do Amapá com a criação do parque do Tumucumaque,  por exemplo, se, no geral, no frigir dos ovos, a principal causa e efeito histórico dos danos ambientais causados ao planeta Terra não estão e não foram gerados aqui no santuário ecológico Amazônico.

O Estado do Amapá acabou como uma múmia paralítica, isto é, engessado e aleijado, tudo graças ao senhor Fernando Henrique Cardoso. Com um toque de Midas, apenas com uma assinatura, acabou mimando e presenteando os gringos ongueiros da WWF com o tal parque do Tumucumaque.
Até quando teremos de sacrificar nossa gente, nosso crescimento e nossos sonhos de identidade cultural ? Até quando iremos aturar falsas promessas internacionais e decretos eupátridas ?

Evidente que o único cuidado que temos de ter é com as queimadas, algumas delas geradas pelo forte sol no  capim seco.

Evidente também que muitos destes mocinhos ecológicos travestidos de ávidos “admiradores” da cultura indígena  e da natureza amazônica traficam informações e bens naturais retirados de nossa rica biodiversidade.

Para onde vão ?  Para laboratórios estrangeiros, of course !
De pensar que a porteira aberta para toda essa safadeza de crime lesa Pátria, fantasiada e maquiada de “Amazônia Ecológica, Pulmão do Mundo” , começou com a empolgação da Eco-92.



 
 
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