| Município
de Laranjal do Jari. Criado pela lei federal nº 7.639, de 17
de dezembro de 1987. Localiza-se na região sudoeste, à
margem esquerda do rio Jari, que separa o Estado do Amapá
do Estado do Pará, na região sudoeste. A altitude
é de 50m (sede). Distante da capital do Estado, 265 quilômetros,
pela BR-156.
Área: 31.170,3
Km²
Limites: faz
limite com os municípios de Vitória do Jari, Mazagão,
Pedra Branca do Amapari e Oiapoque; com o estado do Pará
e ainda com os países Suriname e Guiana Francesa.
Divisão Política
Possui as seguintes comunidades e distritos: Água Branca
do Cajari, Cachoeira, Iratapuru, Laranjal do Jari (sede), Marinho
do Cajari e Padaria. Comunidades indigenas: Ari, Aruwaity, Cachoeirinha,
Cinco Minutos, CTA, Jakare, kakay (índios Waiapi), Kirawary,
Kumata, Kuruwaty, Maninha, Mariry, Najaty, Waseity, Ysururu e Ytuasu.
Vias de Acesso
Para as localidades vizinhas, as vias de acesso são feitas
através dos transportes fluviais e rodoviários. Ao
Estado do Pará (por Almeirim) dá-se através
de embarcações conhecidas na região por ‘catraias’,
com uma duração média de um minuto. Quanto
à capital do Estado, pode ser feito através de barcos
com uma duração média de 16 horas. Também
já é possivel fazer por via rodoviária.
O transporte urbano é feito por empresas de ônibus
atendendo diaramente apenas a dois bairros: Centro e Agreste, ficando
de fora Malvinas, Santarém e Samaúma, por localizarem-se
em terras alagadas. Há um número elevado de táxis
que transportam os municipes satravés de lotações,
que terminam superando os próprios transportes coletivos
oficiais.
População:
A população do município é de 35.872
habitantes, segundo dados do IBGE do ano de 2006. Densidade Demográfica:
0,89 habitantes por Km²
Divisões
Fisiográficas
Relevo
O relevo na parte sul do município, caracteriza-se por uma
faixa de planície amazônica, sujeita a inundações
periódicas. Na parte norte do relevo, encontra-se o Planalto
cristalino das Guianas.
Ao Norte e ao Nordeste, encontra-se a Serra do Tumucumaque e ao
leste, a Serra do Iratapuru. Quanto ao solo, caracteriza-se, predominantemente,
pelos latossolos vermelho-amarelos.
Vegetação
A vegetação em toda a região norte possui florestas
de galerias ao longo dos rios e florestas densas, apresentando algumas
espécies de madeiras nobres, de excelente valor comercial,
que garantem o potencial econômico da área. Ao sul,
há grandes extensões de campos inundáveis.
Hidrografia
O município é drenado pelo rio Jari e seus afluentes
à margem esquerda e pelo rio Cajari à margem direita.
Clima
Predomina o clima tropical chuvoso, com temperatura máxima
de 32,6º e mínima de 20º centígrados. Precipitação:
as chuvas ocorrem nos meses de dezembro a agosto, não chegando
a atingir 3.000mm. A estação seca inicia no mês
de setembro e vai até a metade do mês de dezembro,
quando podem haver temperaturas mais altas.

Economia
No setor primário há a criação dos gados
bovino e bubalino. Estes último, em maior proporção.
Há os cultivos de arroz, abacaxi, banana, cupuaçu,
feijão, laranja, milho, melancia e mandioca.
No setor secundário, a extração e a fabricação
de palmitos de açaí (Florida). Sobressai a extração
da castanha-do-Brasil, voltada à fabricação
de óleo comestível, hoje exportada para a Europa (França);
algumas padarias e fábricas de tijolo que além de
atender o alto consumo interno, exporta boa parte para o Estado
do Pará. Também possui algumas movelarias que fabricam
produtos de boa qualidade.
No setor terciário o comércio é, indubitavelmente,
fator importantíssimo para o desenvolvimento da região,
além de vários bares, boates e alguns hotéis.
O Governo do Estado investiu, em 2000, R$ 130 mil na região
do Iratapuru, em obras de reforma e ampliação da fábrica
de beneficiamento de castanha-do-pará, administrada pela
Cooperativa de Produtores Extrativistas do Rio Iratapuru.

Turismo
e Eventos Culturais
O rio Jari possui diversas cachoeiras, mas a principal é
a de Santo Antônio, considerada uma das mais belas do Brasil,
muito visitada aos finais de semana. Eventos Culturais: os festejos
em junho (dia 15/16) em louvor a Santo Antônio, padroeiro
do lugar e ainda o festival da Castanha-do-Brasil, realizado pelas
cooperativas, no mês de julho.

Saúde
e Saneamento
O setor saúde restringe-se a atendimentos de primeiros-socorros
em postos de saúde. Os casos mais graves têm de ser
encaminhados à capital. A Balsa Hospital Dr. Lélio
Silva está parada.Apesar do abastecimento de água
oferecido pela Caesa ter contribuido para o deslocamento da parte
da população para o interior do municipio, onde existem
terras mais adequadas e a ocupação humana, continua
sendo precária ao longo do rio Jari, que apresenta aglomerado
de casa de palafitas. Assim, o abastecimento de água tratada
atinge apenas 40% da população. O saneamento basico
na área é inexistente. Existe atualmente um projeto
tramitando no Bird, para investimento com fins a propor melhores
condições de saneamento para o municipio.

Educação
e Lazer
No setor educacional, o municipio conta com 8 escolas municipais
na zona urbana e 11 na zona rural, atendendo do pré-escolar
à 4ª série do primeiro grau.
O setor de lazer fica restrito a alguns balneários, três
campos de futebol, pequenos bares e uma balsa flutuante. A cidade
é desprovida de outros lugares públicos para o lazer
e o acesso à cultura (praças, teatros e cinemas).
Conta com uma biblioteca municipal.

Histórico
O município de Laranjal do Jari foi desmembrado do município
de Mazagão e hoje é o maior de todos os municípios
do Estado do Amapá. Originou-se do “Beiradão”,
ou propriamente por causa do projeto Jari, empreendido pela Companhia
Jari Florestal e Agropecuária Ltda, do milionário
norte-americano Daniel Ludwig, que sonhou construir um império
auto-sustentável na região equatorial com atividades
voltadas à exploração de celulose, pecuária
e agricultura de arroz de várzea, além do reflorestamento
da área.
Como se tratava de um projeto de grande porte, a empresa necessitava
de bastante mão-de-obra. Motivados pelo afã nacionalista
(década de 60) e visando melhores condições
de vida, muitos trabalhadores para lá se dirigiram. Boa parte
foi contratada de forma temporária e indireta, por empreiteiras,
que não lhes asseguravam os direitos trabalhistas. Dispensados
pela Companhia, não dispunham de recursos nem para moradia,
tampouco para retornar aos seus locais de origem. A maioria foi
obrigada a viver às margens do rio, em palafitas, sem as
mínimas condições de higiene e sobrevivência.
Isto fez com que o Beiradão se tornasse conhecido como a
maior favela fluvial do mundo e uma das mais pobres e violentas
populações brasileiras. A prostituição
também chegou a índices alarmantes.
O projeto era grandioso, contudo, maior do que seu insucesso, foram
suas conseqüências para uma população que
ainda dele se ressente.
Apesar de já haver ganhado contornos de cidade, pois parte
do centro urbano foi aterrado e asfaltado, tais como: boates substituídas
por escolas e instalações de esgotos feitas na década
de 80, a população do Laranjal do Jari ainda enfrenta
problemas graves pela falta de saneamento básico (doenças);
incêndios provocados por instalações elétricas
precárias, principalmente devido ao aglomerado de palafitas,
além das enchentes, que periodicamente deixam a cidade em
situação calamitosa.
Em 6 de abril de 2001, o Governo do Estado investe R$ 130 mil na
região do Iratapuru, em Laranjal do Jari, em obras de reforma
e ampliação da fabrica de beneficiamento de castanha-do-pará,
administrada pela Cooperativa de Produtores Extrativistas do Rio
Iratapuru.

Texto do historiador Edgar Rodrigues
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