| Capítal
do Amapá, e primeiro municipio a ser criado. O vocábulo
Macapá é de origem tupi. E é uma variação
de macapaba, que na língua dos índios quer dizer estância
das macabas ou lugar de abundância da bacaba.
Bacaba é um fruto gorduroso originário da bacabeira,
palmeira nativa da região de onde se extrai um vinho de cor
acinzentada, muito saboroso. A bacabeira tem o tronco solteiro,
liso, que cresce até 20 metros de altura e é marcado
por anéis correspondentes às cicatrizes. Suas folhas
são pinadas, crespadas e medem de 4 a 6 metros de comprimento.
Possui também uma bainha verde-escura, que mede cerca de
um metro de altura, formando a região colunar no ápice
da estípite. Seus ramos são foliados (cerca de cem),
de ambos os lados da folha, mais ou menos pendular, medindo de 30
a 100 cm de comprimento. Possui flores unissexuadas, geralmente
uma feminina para duas masculinas, inseridas em toda a extensão
do ramo do apódice. Apresenta cachos robustos (cerca de 1,5
metros de comprimento) com frutos arredondados de 1,5 cm de diâmetro;
casca de cor roxo-escura (quase preta) e fruto de aspecto oleoso.
Tem como habitat ideal a mata virgem alta de terra firme e também
de várzea.
Utilizando-se do mesmo processo aplicado para a obtenção
do açaí, prepara-se o vinho da bacaba, que é
consumido, comumente, com farinha de mandioca e açúcar.
Trata-se de um vinho de agradável sabor, porém, com
teor oleaginoso bastante elevado o que faz com que se recomende
comedimento no seu consumo. Este óleo, dito semelhante ao
de oliva, pode ser separado do vinho por processo artesanal e é
utilizado geralmente em frituras.
Informações
Gerais
LOCALIZAÇÃO
O município de Macapá,
localiza-se na região Sudeste do Estado, estendendo-se, da
margem esquerda do Rio Amazonas (entre os rios Pedreira, Matapi
e litoral atlântico) até a nascente do Rio Maruanum.
É cortado pela linha do Equador e sua altitude é de
16.48m (sede).
AREA
A área do município de Macapá é de 6.562,41
LIMITES
Limita-se com os municípios de Santana, Itaubal, Porto Grande,
Ferreira Gomes, Cutias e Amapá.
POPULAÇÃO:
Segundo o IBGE (2006), a população da capital do Estado
do Amapá é de 368.367 habitantes. Densidade Demográfica:
39,02 habitantes por Km2.
Divisão Política
O municipio possui as seguintes localidades:
Bailique (arquipelago e distrito, composto de várias comunidades
como Junco, Franco Grande, Parazinho, Ponta Curuá, Ponta
Esperança, Vila Macedônia, Vila Progresso, ), Campina
Grande, Carapanatuba, Curiaú (distrito), Fazendinha.

Divisões
Fisiográficas
RELEVO
O relevo é de formação rochosa, com grande
potencial turístico e, pode ser verificado principalmente
no percurso Macapá/Serra do Navio, trajeto que pode ser feito
tanto por via rodoviária quanto ferroviária. Em ambos,
oportuniza ao viajante apreciar as belas paisagens amapaenses, formadas
pelo contraste de cerrados e florestas, cortadas por vários
rios e igarapés.
HIDROGRAFIA
É bastante diversificada, caracterizada por rios, igarapés,
furos, ilhas e cachoeiras. Os mais importantes são:
a) rio Amazonas - passa
em frente à cidade de Macapá, além de ser um
dos seus cartões postais, é um dos maiores rios pesqueiros
do mundo, constituindo-se de grande importância para a navegação
local, brasileira e internacional.
b) rio Araguari –
desemboca no rio Amazonas, é onde há a maior concentração
de cachoeiras do Estado do Amapá. Contam-se 36 somente nele.
A principal é a cachoeira do paredão. Devido ao seu
grande volume de água, foi escolhida para a construção
da usina Hidrelétrica Coaracy Nunes.
c) rio Pedreira –
tem importância histórica, pois dele foram retiradas
as pedras para a construção da Fortaleza de São
José de Macapá.
d) igarapé da Fortaleza
– é um dos mais importantes pois separa o município
de Macapá do município de Santana.
e) lagoas – as mais
importantes são: Lagoa dos Índios e Lago do Curiaú.
Em ambos há diversas espécies de peixes.
• Ilhas: as mais
importantes são: ilha do Bailique, Curuá, Brigue e
Pedreiras.
• Clima: o clima
do Município de Macapá é equatorial quente-úmido.
• Temperatura: a
máxima é de 32,6º e a mínima 20º
graus centígrados.
• Precipitação:
as chuvas ocorrem nos meses de dezembro a agosto, não
chegando a atingir 3.000mm. A estação das secas inicia
no mês de setembro e vai até meados de dezembro, quando
se registram temperaturas mais altas.

Economia
AGROPECUÁRIA
No setor primário sobressaem-se as criações
de gado bovino, bubalino (com maior representatividade) e suíno;
avicultura; pesca artesanal (dourada, piramutaba, pescada, tamuatá,
traíra, jiju, pratinha, acará, matupiri, jandiá,
sarapó, anunjá, oeua, tucunaré, etc) e a pesca
do camarão. O açaí é outro produto que,
embora ainda em fase de experimentação, está
gerando renda para o município. Há pela cidade inúmeros
pontos de venda do produto, que além de se constituir alimento
básico para a população local, vem sendo exportado
para outros estados e até mesmo para alguns países
estrangeiros.
INDUSTRIA
E COMÉRCIO
Desenvolvendo o setor secundário, há diversas fábricas
de tijolos, engarrafamento de refrigerantes (coca-cola); industrialização
de sucos, palmitos de açaí (Flórida do Bailique);
padarias, vários jornais e movelarias. Aliás, o setor
moveleiro vem oportunizando centenas de empregos na capital.
A industrialização (setor secundário) do município
de Macapá desenvolve-se lentamente, em função
de alguns problemas que se avolumam tais como:
- incapacidade de oferta de energia elétrica necessária
ao funcionamento de máquinas pesadas, dificuldades de transporte;
distância dos grandes centros consumidores e, sobretudo, presença
forte de Belém e Manaus, que já dispõem de
parques industriais instalados.
O comércio é o setor mais promissor, hoje, no Estado
do Amapá, haja vista a implantação da Área
de Livre Comércio de Macapá e Santana – ALCMS.
Alguns noticiários afirmam que vem despontando como uma das
alternativas na geração de empregos.
Em Macapá, hoje são encontrados produtos importados
de todas as partes do mundo. As lojas especializadas concentram-se
no centro da cidade, e oferecem produtos de excelente qualidade:
videocassetes, televisores, computadores, disc-lasers, equipamentos
de som, wallkman, filmadoras, material fotográfico, ventiladores,
confecções, brinquedos eletrônicos, produtos
de beleza, perfumes, artigos esportivos, relógios, óculos,
jóias, enfim, uma imensa gama de produtos.
SERVIÇOS
Entretanto, o setor terciário, que inclui a administração
pública, apesar de não ser mais o maior empregador,
ainda é o maior responsável pelo dinheiro que circula
no Estado, movimentando vários segmentos da economia amapaense.
Quanto ao setor terciário, apresenta números positivos,
principalmente com relação à oportunidade de
emprego. Além do serviço público, a cidade
dispõe de bares, boates, restaurantes, cinemas, hotéis,
motéis, empresas de vigilância, limpeza e conservação,
escritórios de contabilidade, advocacia, bancos e serviços
de telecomunicações (correios, empresas de telefonia)
que cada vez absorvem a mão-de-obra local.

Saude
A população conta com hospitais,
pronto-socorros, postos médicos (mantidos pelos governos
do Estado e do Município), equipamentos modernos, além
de clínicas e laboratórios da iniciativa privada com
atendimento e aparelhos bastante sofisticados.
Contudo, a saúde do município ou mais especificamente
do Estado, é ainda um dos grandes problemas que afligem ao
governo e à população. Principalmente por falta
de atendimento adequado nos Postos Médicos e Hospitais, aliado
à escassez de remédios e à indisponibilidade
de alguns equipamentos.
A bem da verdade, a situação não difere muito
da que se vivenciava noutros tempos. Vive melhor quem dispõe
de recursos para pagar planos de saúde privados ou tem condição
de se dirigir a outros centros. À maioria, resta mesmo ficar
sem assistência.
Saneamento
Nos centros urbanos, o saneamento básico
está dentro dos níveis permitidos. Boa parte da população
pode dispor de água potável e esgoto sanitário.
Há energia elétrica, fornecida também por companhia
estatal para a maioria da população. Contudo, talvez
por que não haja concorrência, os serviços ainda
apresentam deficiências, principalmente no que tange ao fornecimento
de energia. Com relação à pavimentação,
centenas de ruas e avenidas da capital receberam o benefício.
Entretanto, há ainda muitos pontos críticos que merecem
ser saneados.

Habitação
Nos centros urbanos, há predomínio
de casas de alvenaria, enquanto que nas periferias a maioria é
construída de madeira.
Transporte
É o município mais assistido
do Estado do Amapá. Há o rodoviário, constituído
por empresas de ônibus, táxis, moto-táxis; ferroviário;
marítimo e aéreo (Aeroporto Internacional de Macapá).

Comunicação
Em geral, constitui-se de correios, companhias
telefônicas, emissoras de rádio, televisão,
jornais etc.
Jornais: A Gazeta (Diário); Amapá (devezenquandário);
Diário do Amapá (Diário); Folha do Amapá
(Semanário); Jornal do Dia (Diário); Jornal dos Municípios
(diário);
Emissoras de Rádio: Amapá.
FM. 93,3. Rede Amazônica de Rádio e Televisão;
Antena 1. FM. 102,9. Boas Novas. FM. 104; Cidade. FM. 101,9.; Difusora
de Macapá. AM. Emissora pública Estadual. Equatorial.
AM. Transmitindo programação da Rádio Globo,
do Rio de Janeiro. Equatorial. FM. 94,5. Com programação
da Transamérica, de S.P. Marco Zero. AM. Marco Zero. FM.
99,1. Sistema Salomão Alcolumbre de Comunicação.
Emissoras de TV: Macapá
possui 11 emissoras de TV: Canal 2 (CNT); Canal 4 (TV Macapá,
Rede Band); Canal 6 (TV Amapá, Rede Globo); Canal 8 (Tv Equatorial,
Rede Mulher); Canal 10 (TV Gazeta, Rede Record); Canal 13 (TV Amazônia,
Rede SBT); Canal 19 (TV Marabaixo, Rede21); Canal 24 (TV Tucuju,
RedeTV); Canal 29 (Rede Amazônica, Amazonsat); Canal 40 (Diocese
de Macapá, Rede Vida); Canal 52 (Diocese de Macapá,
Rede Nazaré);
Mídia virtual: Macapá
possui dois provedores publicos de acesso à Internet com
assistência local(TV Som e BNO), com conexões a rádio,
cabo de fibra ótica e satélite. Há, ainda,
o Prodap. Servidor que atende as secretarias de Estado. Em termos
de fluxo de informação, existem sites voltados a divulgação
de noticias. Alguns funcionam como portais de informação,
e outraos dão suportes a jornais impressos, exibindo versõe
son line. Os principais sites de Macapá são;
www.jdia.com.br;
www.diariodoamapa.com.br;
www.jornalagazeta-ap.com.br;
www.folhadoamapa.com.br;
www.correaneto.com.br;
www.tempusdigital.com.br;
www.amapabusca.com.br;
www.amapa.gov.br;
www.amapadigital.net.
Existem, ainda, diversos blogs. Blogs sãodiários virtuais
que qualquer internauta pode criar através de sites como
www.uol.com.br, www.blogspot.com.br. O maior público detentor
de blogs está na faixa etária de 14 a 21 anos, mas
há blogs sérios que servem como canais de informação
tão importantes como os sites citados anteriormente. São
eles:
http://www.alcinea.zip.net;
http://www.edgar.rodrigues.zip.net;
http://www.pautaquepariu.zip.net;
http://www.ivancarlo.webloger.terra.com.br.

Educação
Atualmente a capital do Estado possui 165 escolas
da rede estadual, 56 da rede municipal e 39 da particular (Informações
Seed 2000). Segundo a Seed – Secretaria de Estado da Educação,
mais de 90% das escolas particulares estão instaladas na
capital. Em termos de Ensino Superior, a capital possui duas universidades
públicas (Unifap – Universidade Federal do Amapá
e UEAP – Universidade Estadual do Amapá) e 14 faculdades
privadas, devidamente registradas no Conselho Estadual de Educação.
São elas:
Atual (Centro de Ensino Atual), Ceap (Centro de Ensino Superior
do Amapá), Ceninter (Pertence à Facinter), Cete (Faculdade
de Tecnologia do Amapá), Facinter (Faculdade Internacional
de Curitiba; Fama (Faculdade de Macapá), Famap (Faculdade
do Amapá), Fatec (Faculdade de Teologia), IBPEX (Instituto
Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão),
Iesap (Instituto de Ensino Superior do Amapá), IMMES (Inssituto
Macapaense de Ensino Superior), Seama (Associação
Educacional da Amazônia), Udesc (Universidade do Estado de
Santa Catarina –pública, representada em Macapá
pelo Instituto Fontoura de Azevedo, Fontaz) e UVA (Universidade
Vale do Acaraú, com sede no Ceará).

Cultura, Lazer
e Turismo
PONTOS
TURISTICOS E CULTURAIS
Fortificações Históricas
As redes de fortificações de
Macapá, melhor dizendo, do Amapá, eram, na sua maioria,
constituídas por simples postos ou pequenos redutos, os quais,
devido à fragilidade de sua construção, quase
ruíram por completo, restando somente as edificações
mais sólidas. Dentre estas figura a Fortaleza de São
José de Macapá, considerada o melhor, maior e mais
importante monumento histórico de Macapá, do Brasil
e da América do Sul.
As fortificações mais importantes são:
- Forte de Cumaú; Forte de Santo Antonio de Macapá;
Vigia do Curiaú
a) Forte
de Cumaú – depois que os portugueses se apossaram
dos fortes de Torrego, nos rios Manacapuru e Felipe entre os rios
Matapi e Manacapuru (hoje rio Vila Nova), um reduto mais seguro
e resistente, os ingleses enviados oficialmente à Amazônia,
alojaram-se na região de Macapá, onde fundaram o forte
de Cumaú ou Massapá, com a ajuda dos índios
Nhengaybos, Aruan e Tucuju. Em 10 de março de 1631, aportou
em Santa Maria de Belém, Feliciano Coelho de Carvalho, nomeado
ao cargo de vice-governador do Maranhão e Grão-Pará,
com a missão de continuar lutando contra os invasores no
grande vale amazônico. Em 1632, chefiava uma expedição
guerreira, cuja finalidade era expulsar os invasores ingleses e
parar nas imediações do Forte de Cumaú. Deu
ordens aos capitães Ayres Chichorro e Pedro Baião
de Abreu. Ergue-se um lugar estratégico, uma trincheira para
iniciarem os ataques ao aquartelamento dos súditos de Carlos
I, da dinastia dos Studart.
Na noite de 09 de julho, o capitão Pedro Baião, acompanhado
de seus soldados e de cinco mil índios, apoderou-se do Forte
de Cumaú, onde os ingleses que haviam resistido à
ofensiva portuguesa foram mortos e aprisionados. O comandante da
expedição Roger Frey, não estava presente no
combate, porque foi ao encontro de uma nau de socorro, bastante
equipada com material bélico. Feliciano Coelho, ciente da
atitude de Roger Frey, ordenou ao capitão, Ayres Chichorro,
que fosse ao encontro do navio inglês. Era o dia 14 de julho
de 1632. O capitão tratou de executar as ordens do seu comandante,
mas o fez com o auxilio dos índios flecheiros (Tucuju), os
quais, de suas canoas, abordaram os navios ingleses, todavia, foram
vencidos pelos lusitanos.
Ayres Chichorro e Roger Frey, confrontaram-se no tombadilho da nau
inglesa e de espada em punho, iniciaram o duelo. Ao final, o comandante
súdito de Carlos I é derrotado, sucumbido pela espada
mortal do português. A vitória portuguesa já
era previsível: o forte de Cumaú foi arrasado. Feliciano
Coelho retorna, então, para Belém, no navio tomado
por Roger Frey, com a artilharia e os despojos da fortificação
vencida. Desta forma, os ingleses perderam a sua última batalha
nas terras do Amapá. Atualmente este forte pertence ao Município
de Santana.
b) Forte
de Santo Antônio de Macapá – a presença
francesa, ou melhor, a presença dos guianos (membros de uma
tribo indígena), despertou nos portugueses a idéia
de construir uma fortificação para a defesa da região
de Macapá, e o rei de Portugal, D. Pedro I (1683/1706), através
de carta-régia de 21 de dezembro de 1666, facultou ao governador
Gomes Freire de Andrade, a escolha de um local para construir a
respectiva fortaleza, então em projeto. No ano de 1688, o
governador do Maranhão e Grão-Pará, capitão
Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho (filho de Feliciano
Coelho), adotando as instruções do governador geral
do Brasil, mandou levantar essa fortificação, a qual
recebeu o nome de Santo Antônio de Macapá.
Em 31 de março de 1697, portanto 9 anos após a fundação
do forte, o marquês Deferroles seguindo determinação
do governador de Caiena, e, acima de tudo, ordens do rei da França
(Luiz XIV), desrespeita um acordo de paz e expulsa os militares
lusitanos da margem esquerda do rio Amazonas. Tudo isto sem muita
dificuldade, pois, para se apossar da Fortaleza em questão,
não necessitou de nenhuma artilharia. O forte localiza-se
às proximidades da atual rodovia Salvador Diniz, que liga
o Distrito de Fazendinha ao Porto de Santana, na embocadura do Igarapé
da Fortaleza.
O governador do Maranhão e Grão-Pará,
Antônio Albuquerque de Carvalho, que nesse momento achava-se
inspecionando a praça de Gurupá. Sabedor da tomada
desse forte, organizou, sob o comando de Francisco de Sousa Fundão,
uma expedição militar constituída de 160 soldados
e 150 índios flecheiros com destino a Macapá, seguida,
mais tarde, de um minguado reforço, liderado por José
Muniz de Mendonça. Vigiava a fortificação,
uma guarnição de 43 homens, entre oficiais e soldados.
Em 28 de junho de 1697, os portugueses realizaram o primeiro ataque
para a retomada da Fortaleza, mas foram rechaçados, à
bala, pelos inimigos.
Francisco de Sousa Fundão, analisando o fracasso da primeira
investida, pensou em retirar sua tropa. Entretanto, não teve
a aquiescência de João Muniz, que considerava a idéia
absurda, pois o propósito da expedição era
tomar o forte, a qualquer custo. Por causa da determinação
de João Muniz, os portugueses recuperaram, em seguida, a
Fortaleza de Santo Antônio de Macapá.
Deste modo, conforme previsto em lei, precisamente no Art. 1º
do Tratado Provisional de 4 de março de 1700, sancionado
pelos portugueses e franceses, a fortaleza deveria ser demolida.
Conforme este acordo bilateral - pelo qual foi neutralizado o território
com a Guiana Francesa – ficou acertado que se deveria: Desamparar
e demolir, por el-Rei de Portugal, os fortes de Araguary e Cumaú
e retirar a gente e tudo o mais que neles houver e as aldeias de
índios que os acompanham e formarem, para o serviço
e uso dos ditos fortes, e depois da ratificação do
tratado provisional, achando-se mais alguns fortes pela margem do
rio Amazonas , para o cabo do Norte e costa do mar até a
foz do rio Oiapoque, se demolirão igualmente com os de Araguary
e de Cumaú. (Reis, Arthur Cezar, 1993)
Apesar das determinações, atendendo
pedido do governador do Pará, Fernando Carrilho, o forte
de Santo Antônio de Macapá não foi demolido.
Contudo, a fortaleza não recebeu a devida manutenção
e pouco a pouco foi se transformando em ruína. Além
do mais, pelo seu aspecto arquitetônico de pouca resistência,
não oferecia segurança, no caso de nova invasão.
Sua construção foi levantada por volta de 1763, mas
sua planta de fortificação só ficou pronta
75 anos depois, quando se estudavam as fortificações
de Macapá, por determinação do governador do
Maranhão e Grão-Pará, Fernando da Costa de
Ataíde Teive.
c) Vigia
do Curiaú – ao norte da cidade de São
José de Macapá, lança-se no rio Amazonas, um
Igarapé, chamado nas cartas geográficas – desde
os tempos coloniais – de rio Curiaú. O governador do
Grão-Pará capitão-general João de Abreu
Castello Branco, autorizou a instauração de um destacamento
militar em Macapá. Uma pequena unidade comandada pelo capitão
Antonio Gonçalves, que havia enviado uma correspondência
ao rei de Portugal D. João VI, propondo erguer, por sua conta,
uma fortificação na foz do Curiaú, dizendo
estar interessado apenas em ser o seu comandante, com posto vitalício.
A proposta foi aceita pelo governador do Grão-Pará,
mas o monarca português manifestou-se contrário. Somente
em 6 de março de 1761, o governador do Maranhão e
Grão-Pará, Bernardo de Mello e Castro veio a Macapá
para a benção da Igreja de São José
de Macapá. Aproveitou a ocasião para autorizar a construção
da fortaleza de São José de Macapá e que fosse
construída, também, uma vigia à margem direita
do Curiaú, na confluência com o rio Amazonas. Foi construída
uma residência para o corpo da guarda e uma guarita, a uma
distância de 70 braços do rio, ou 150 metros de terra
firme, em cima de um banco de lodo e areia, ligada a margem por
uma ponte. Toda a obra foi executada em madeira.
A topografia do terreno dava condição de se avistar,
da guarita, uma parte do Amazonas que não se podia ver da
Fortaleza de São José de Macapá. Desse modo,
era possível avistar e avisar o forte de São José
de Macapá, quando da aproximação de qualquer
navio inimigo. A comunicação era feita por terra entre
o baluarte e a guarita. O contato também era realizado através
de uma pequena montaria, cujo trânsito se dava via fluvial.
A guarita era comandada por um cabo de esquadra e soldados, os quais
dispunham de alguns cavalos, em caso de aproximação
de qualquer embarcação estranha. Havia um sentinela
dia e noite, a quem competia avisar o cabo da guarita, quando avistasse
a chegada de embarcação de grande porte. Durante o
dia o aviso era levantar uma bandeira larga no mastro e, à
noite, seriam soltos dois foguetes sucessivos. Os sinais deveriam
ser repetidos até que o baluarte de Macapá compreendesse
o aviso, levantando também sua bandeira ou, disparando um
tiro de canhão.
A Vigia do Curiaú permaneceu firme por muitos anos, pois
havia sempre o cuidado de se efetuar reparos, para quando houvesse
necessidade de utilizá-la. Somente muito tempo depois, em
conseqüência do abandono das obras do burgo de Macapá,
a guarita do Curiaú perdeu sua utilidade e, pouco a pouco,
a erosão se encarregou de destruí-la completamente.

História
Antes do chamado Descobrimento do Brasil,
em 1499, Américo Vespúcio, participando da expedição
de Alonso de Hojeda – sob ordens dos reis católicos
da Espanha Fernando e Isabel (Castela e Aragão) – percorreu
o litoral amapaense, conforme carta-documento escrita por esse navegador,
na qual narra o momento em que sua expedição atravessa
a linha do equador, passando pelas ilhas da Caviana, dos Porcos
e do Pará, em frente ao Município de Macapá,
hoje capital do Estado do Amapá. Portanto, muito antes de
ser oficializado o nome Macapá, Américo Vespúcio
já havia passado em sua frente, através do rio Amazonas.
A história da cidade de São José de Macapá,
remonta aos idos coloniais e está relacionada à defesa
e fortificação das fronteiras do Brasil, bem como
à preocupação em garantir a fixação
do homem em terras brasileiras, assegurando, assim, a soberania
de Portugal nas terras conquistadas.
No extremo norte do Brasil formou-se o primeiro núcleo de
colonização (1738), após vários conflitos
com os franceses de Caiena. Este núcleo pertencia a então
província do Maranhão e Grão-Pará, cujo
governador (João de Abreu castelo Branco) enviou destacamento
militar para o local onde hoje se encontra a Fortaleza de São
José de Macapá. Por falta de recursos financeiros,
conservou o destacamento, sem, no entanto, procurar desenvolvê-lo.
Mas alertou ao rei de Portugal sobre a urgência de implementação
de povoamento e fortificação da foz do Amazonas. Francisco
Pedro Gurjão, seu sucessor, reiterou essas reivindicações.
Apesar disto, o único mérito de D. João V,
foi o de haver em 1748, oficialmente denominado a região
de Província dos Tucuju ou Tucujulândia, mantendo,
portanto, inalterada sua condiçõe administrativa.
No ano de 1751, o governador do Grão-Pará e Maranhão,
Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês
de Pombal – ministro de D. José I, continuou a colonização,
trazendo algumas famílias (colonos) vindos das ilhas de Açores,
com o objetivo de iniciar uma pequena povoação e construir
barracos para servirem de alojamento aos soldados que viriam para
cá. O povoado rapidamente progrediu, mas a insalubridade
do local vem a ser um grave problema para os colonos. Em 1752 grassa
no povoado uma epidemia de cólera. A notícia chegou
à Belém em 7 de março daquele mesmo ano. Inesperadamente,
Mendonça Furtado aporta na povoação, trazendo,
além de medicamentos, o único médico que havia
na capital e consegue controlar a moléstia.
Constituem as origens do Amapá, portanto, esses colonos degredados
de Portugal (bandidos, prostitutas, presos políticos etc,
negros africanos ou oriundos da Bahia e do Rio de Janeiro, além
dos índios que já habitavam o local). Em 1761 inaugurava-se
o mais antigo monumento da cidade de Macapá: a Igreja de
São José de Macapá.
Foi o governador do Grão-Pará e Maranhão, Mendonça
Furtado que elevou Macapá, antes povoado, à categoria
de Vila de São José de Macapá, em 04 de fevereiro
de 1758, na presença do povo tucujuense, precisamente na
praça denominada de São Sebastião.
Era necessário fortificar a Vila. O então governador
do Grão-Pará e Maranhão, Fernando da Costa
Ataíde Teive, autorizou, em 1764, a construção
da Fortaleza de São José de Macapá. Em 19 de
março de 1782, foi inaugurada a maior fortificação
construída pelos portugueses no Brasil. A vila foi prosperando
e se expandindo em volta do forte.
Era o ano de 1808. A Família Real chegara ao Brasil. D. João
VI determina a integração da Fortaleza de São
José de Macapá à fronteira do Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves.
Em 7 de janeiro de 1835 eclode a Cabanagem, revolta armada encabeçada
basicamente por humildes habitantes ribeirinhos que moravam em cabanas,
daí o nome do movimento.
A notícia da eclosão desta revolta chega à
Macapá, através do sub-comandante da Fortaleza de
São José, Francisco Pereira Brito, que se encontrava
em Belém.
A cabanagem, sendo um movimento reformista composto por mestiços,
não conseguiu a adesão dos macapaenses, descendentes
de antigos colonos portugueses (não miscigenados). O temor
da perda de privilégios os levou a formar uma frente de reação
aos cabanos com o apoio das Vilas de Gurupá, Monte Alegre,
Santarém e Cametá.
Providências militares foram tomadas para conter o avanço
da região. Em Macapá, a defesa da Vila e seus domínios
foi organizada pelo presidente da Câmara Municipal, Manoel
Antônio Picanço, pelo Juiz de Direito Manoel Gonçalves
de Azevedo, pelo Promotor Público Estevão José
Picanço e pelos capitães Francisco Valente Barreto
e José Joaquim Romão. Este último comandante
da Fortaleza de São José.
A lua entre cabanos e tropas imperiais intensificava-se. Perseguidos
no Baixo-Amazonas, os cabanos refugiaram-se no Município
de Macapá, nas ilhas de Santana e Vieirinha, bem como na
localidade de Furo de Beija-flor. Em 20 de dezembro de 1835, foram
atacados por tropas macapaenses e mazaganenses e expulsos da região.
Somente no Segundo Reinado, através da lei provincial do
Pará de nº 281, Macapá foi elevada à categoria
de cidade, em 06 de setembro de 1856.
No governo de Getúlio Vargas, através do Decreto-lei
nº 5812, de 13 de setembro de 1943, foi criado o Território
Federal do Amapá. A partir desta data o Amapá passou
a ter governo próprio, embora nomeado pelo Governo Federal.
Em 31 de maio de 1944, Macapá foi promovida à categoria
de capital do Território, hoje Estado do Amapá.
Macapá é o Município mais importante do Estado
do Amapá, pois configura a capital do Estado do Amapá.
Além de ser a sede do governo e demais poderes que regem
a administração, é o município mais
estruturado, concentrando prédios de arquitetura moderna
e monumentos históricos. Macapá é a única
capital brasileira que está situada à margem esquerda
do rio Amazonas e é cortada pela linha do equador.
A partir da transformação do Amapá em Estado,
atendendo preceitos da Constituição de 1988, ocorreram
substanciais mudanças em sua dinâmica espacial. O esgotamento
das jazidas manganíferas, de fundamental importância
para a economia do Estado, obrigou aos governos, tanto estaduais
quanto federais, buscarem novas alternativas econômicas para
o Amapá. O principal elemento dessa tomada de decisão
foi a criação pelo Governo Federal, da área
de livre comércio de Macapá e Santana em 1991.
Apesar da suspensão do Imposto de Importação
(II) e do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as
mercadorias estrangeiras, que se constitui em grande perda na arrecadação
do Estado, o setor terciário ainda é um dos maiores
alavancadores da economia estadual, além de propiciar vantagens
também no campo social, pois gera empregos para centenas
de pessoas.

Texto do historiador Edgar Rodrigues
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