Revisão do tratado
de Itaipu deixará conta de luz até 3% mais cara
Caso o tratado da usina binacional de Itaipu seja revisto, a conta
de luz do brasileiro ficará entre 2% e 3% mais cara. A previsão é do
departamento de engenharia elétrica da Universidade Federal
do Mato Grosso, e veio no mesmo dia que o ministro de Minas e Energia,
Edison Lobão, garantiu não haver possibilidade de
reajuste da tarifa cobrada do Brasil pelo Paraguai.
Na avaliação do departamento o preço da eletricidade
acompanha a alta dos combustíveis fósseis, especialmente
o petróleo. "Temos que entender Itaipu como um grande
poço de petróleo situado entre o Brasil e o Paraguai,
e o Paraguai tem 50% desse poço", avaliou o departamento. "O
preço praticado é justo", rebateu Lobão.
O ministro explicou que só haverá aumento caso seja
empregada revisão tarifária em todo o território
brasileiro - e não isoladamente.
Acordo
Atualmente, a produção da usina responde por 20%
do consumo brasileiro. De acordo com o tratado firmado em 1973
e válido por 50 anos, cada um dos países tem direito à metade
da energia produzida na usina binacional. No entanto, o Paraguai
utiliza apenas cerca de 5% da parte que lhe cabe. O restante é necessariamente
vendido ao Brasil, por força do tratado, pelo preço
de custo.
A possibilidade de haver uma majoração na tarifa
veio durante a campanha para a presidência do país
vizinho. O candidato vitorioso, Fernando Lugo, defendeu a retomada
da soberania do país sobre seus recursos naturais e prometeu
pressionar Brasil e Argentina pela revisão dos tratados
das hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacireta.
Tarifas
Segundo o diretor-geral da Usina de Itaipu, Jorge Samek, o valor
pago ao Paraguai pela cessão da energia da usina atualmente é de
US$ 45,31 por megawatt/hora. Nas concessionárias brasileiras,
o preço médio praticado está em torno de US$
38 por megawatt/hora. A energia produzida pela usina hidrelétrica
de Santo Antônio, no Rio Madeira, vai custar R$ 78 por megawat/hora.
Na avaliação de Gonçalves, o Paraguai deve
pedir que a tarifa fique em R$ 100, ou cerca de US$ 60.
Brasil e Paraguai faturam juntos, anualmente, US$ 3,2 bilhões
com a energia produzida pela binacional. Do total, 75% estão
comprometidos com o pagamento de dívidas e juros contraídos
ainda na construção da usina. Outros 14% são
para pagamento de royalties e cessão de energia. "Portanto,
a maior hidrelétrica do mundo é administrada e
tem todos os projetos de modernização implantados
com apenas 11% do orçamento", disse Samek.
"Empreendimento excelente"
Segundo o diretor-geral de Itaipu, o Paraguai é o único
país do mundo que, até o ano 2050, não terá que
se preocupar com novas fontes de energia.
"Itaipu, reafirmo, é um empreendimento excelente tanto
para o Brasil como para o Paraguai. Temos uma sociedade num empreendimento
avaliado hoje em US$ 60 bilhões, valor equivalente a seis
vezes o PIB [Produto Interno Bruto] paraguaio", destacou
o diretor-geral de Itaipu.
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