Documentários,
vídeos experimentais e
ficção integram programação
do Festcine Amazônia Itinerante
A programação que o Festcine Amazônia Itinerante
tem exibido desde fevereiro deste ano em inúmeras localidades
de Rondônia e passando ainda por paises vizinhos como Peru,
Colômbia e Bolívia incluí animações
como “Vida Maria”; “Leonel Pé de
Vento”; “Árvore Sagrada”; “Peixe
Frito”; “Mapinguari, o defensor da floresta”,
documentários como “A Ferrovia do Diabo”; “A
Rondônia de Maria dos índios” e “Profetas
da chuva e da esperança”, e vídeos experimentais
tendo como tema a preservação do meio ambiente, contribuindo
para a formação de platéias ao mesmo tempo
que leva estes espectadores a refletirem sobre temas ambientais.
Construída no coração da floresta Amazônica
no início do século passado, a Estrada de Ferro Madeira
Mamoré é o tema de A Ferrovia do Diabo, documentário
dinamarquês dirigido por Simon Plum, a partir de idéia
de Christian Kaarsberg. A Ferrovia do Diabo, dedicado aos milhares
de desconhecidos trabalhadores que buscaram prosperidade na construção
da ferrovia, é o filme que todo rondoniense deveria assistir.
O documentário utiliza fotos históricas de Dana
Merrill e Manuel Rodrigues Ferreira, imagens de época e,
depoimentos como os de Valdir Raupp, que na época em que
o filme foi produzido, 1996, era governador de Rondônia.
Depoimentos de antigos funcionários da Ferrovia que incorporam
relatos emocionados sobre a Madeira-Mamoré. Destaque ainda
para trechos extraídos do diário de um trabalhador
vindo da Europa, relatando a saudade de casa, da família,
dos amigos, o isolamento. Mais adiante o narrador fala do trecho
de outro diário de um engenheiro que fala sobre “a
imponência da floresta imortal”, “as chuvas constantes,
a cheia do Rio Madeira, e a malária”. A Ferrovia do
Diabo é o resgate das raízes históricas de
Rondônia. Tradução de Stélio Maloney
e Christian Kaarsberg.
A Rondônia de Maria dos Índios é outra produção
que o Itinerante exibe. O filme conta a história de Maria
Barcelos, conhecida como Maria dos Índios, indianista que
veio para Rondônia em 1976 para trabalhar com os índios
Suruí. O documentário utiliza imagens de arquivo
como as do marechal Candido Mariano Rondon responsável pela
criação do Serviço de Proteção
aos Índios (SPI). São citados trechos do livro Triste
Trópicos, de Claude Levi-Strauss em que o autor chama a
floresta amazônica de “universo monumental”.
O filme descreve Rondônia a partir do ponto de vista de
uma indianista apaixonada pela região, pelo Rio Madeira,
Vale do Guaporé, assim como pelas pessoas que habitam as áreas
ribeirinhas como “dona China” (57) que reside na reserva
extrativista Pacass Novos. Ela teve vinte e dois filhos (apenas
sete ainda estão vivos) sendo que apenas dois nasceram na
cidade. O documentário mostra outros personagens como a
Bailarina da Praça (Elieuza Ramos Freire); Galdino, mais
conhecido como Dr. Raiz; e ainda Carrol, que foi funcionário
da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré durante dezoito anos.
O músico Bado também é um dos personagens
em destaque. O filme foi realizado em 2006 com roteiro e direção
de Rogério Moraes. A produção local ficou
a cargo de Jurandir Costa e Sérgio P. Cruz.
A sabedoria popular é o mote do documentário, “Profetas
da chuva e da esperança”, escrito, produzido e dirigido
por Márcia Paraíso. O filme tem como pano de fundo
a expectativa de chuva no nordeste e dos chamados “profetas
da chuva”, pessoas que vivem para predizer quando irá chover
ou se vai chover ou não. São rezadores que traduzem
os sinais da natureza que anunciam as chuvas. Depoimentos dos profetas
da chuva João Ferreira; Chico Mariano e Antônio Lima.
A seca é tema de outro trabalho - Águas de Romanza,
ficção com direção de Gláucia
Soares e Patrícia Baía que também assina o
roteiro baseado em conto de Eugênio Leandro. Uma menina sonhadora
e sua avó que vive das lembranças do marido morto
assim como pela esperança de que chova, como prometeu para
sua neta. No cenário árido, a esperança brilha
nos olhos da menina Romanza, mas que nos olhos de dona Salmantina
não passa de uma sombra.
Trabalhos experimentais também integram o acervo do Festcine
Amazônia Itinerante: “Na corda bamba” (animação
experimental) e “A Rosa” (vídeo experimental). “O
primeiro é uma produção do Núcleo de
Animação AESO, das Faculdades Integradas Barros Mello.
O vídeo é como uma metáfora sobre a vida vazia
na cidade grande. Um palhaço resolve caminhar na corda bamba
no alto de um edifício para despertar a atenção
das pessoas que caminham pelas ruas como fantasmas. A ação
do palhaço ocasiona mudanças no comportamento daqueles
que assistem seu show”, explica Fernanda Kopanakis.
“O segundo é uma animação. Ao som de
um violão plangente surge à imagem de uma favela,
as casas que se transformam numa rosa que desabrocha, absorve tudo,
e depois murcha para no fim voltar para a imagem inicial. Lirismo
em forma de imagem”. A trilha sonora “Daqui eu vejo
uma rosa”, de Leandro Lima e Marquinhos Eddie Murphy. O vídeo é uma
homenagem ao compositor Cartola, autor de clássicos como
As rosas não falam, O mundo é um moinho, entre outros.
O Festcine Amazônia Itinerante conta com o patrocínio
do Ministério da Cultura, Petrobrás através
da Lei Rouanet, tem ainda o apoio da senadora Fátima Cleide,
deputado federal Eduardo Valverde, IBM, Unir, Secel e Prefeitura
de Porto Velho.
Assessoria de Imprensa Festcine Amazônia Itinerante
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