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29 de abril de 2008

Documentários, vídeos experimentais e
ficção integram programação do Festcine Amazônia Itinerante

A programação que o Festcine Amazônia Itinerante tem exibido desde fevereiro deste ano em inúmeras localidades de Rondônia e passando ainda por paises vizinhos como Peru, Colômbia e Bolívia incluí animações como “Vida Maria”; “Leonel Pé de Vento”; “Árvore Sagrada”; “Peixe Frito”; “Mapinguari, o defensor da floresta”, documentários como “A Ferrovia do Diabo”; “A Rondônia de Maria dos índios” e “Profetas da chuva e da esperança”, e vídeos experimentais tendo como tema a preservação do meio ambiente, contribuindo para a formação de platéias ao mesmo tempo que leva estes espectadores a refletirem sobre temas ambientais.

Construída no coração da floresta Amazônica no início do século passado, a Estrada de Ferro Madeira Mamoré é o tema de A Ferrovia do Diabo, documentário dinamarquês dirigido por Simon Plum, a partir de idéia de Christian Kaarsberg. A Ferrovia do Diabo, dedicado aos milhares de desconhecidos trabalhadores que buscaram prosperidade na construção da ferrovia, é o filme que todo rondoniense deveria assistir.

O documentário utiliza fotos históricas de Dana Merrill e Manuel Rodrigues Ferreira, imagens de época e, depoimentos como os de Valdir Raupp, que na época em que o filme foi produzido, 1996, era governador de Rondônia. Depoimentos de antigos funcionários da Ferrovia que incorporam relatos emocionados sobre a Madeira-Mamoré. Destaque ainda para trechos extraídos do diário de um trabalhador vindo da Europa, relatando a saudade de casa, da família, dos amigos, o isolamento. Mais adiante o narrador fala do trecho de outro diário de um engenheiro que fala sobre “a imponência da floresta imortal”, “as chuvas constantes, a cheia do Rio Madeira, e a malária”. A Ferrovia do Diabo é o resgate das raízes históricas de Rondônia. Tradução de Stélio Maloney e Christian Kaarsberg.  

A Rondônia de Maria dos Índios é outra produção que o Itinerante exibe. O filme conta a história de Maria Barcelos, conhecida como Maria dos Índios, indianista que veio para Rondônia em 1976 para trabalhar com os índios Suruí. O documentário utiliza imagens de arquivo como as do marechal Candido Mariano Rondon responsável pela criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI). São citados trechos do livro Triste Trópicos, de Claude Levi-Strauss em que o autor chama a floresta amazônica de “universo monumental”.

O filme descreve Rondônia a partir do ponto de vista de uma indianista apaixonada pela região, pelo Rio Madeira, Vale do Guaporé, assim como pelas pessoas que habitam as áreas ribeirinhas como “dona China” (57) que reside na reserva extrativista Pacass Novos. Ela teve vinte e dois filhos (apenas sete ainda estão vivos) sendo que apenas dois nasceram na cidade. O documentário mostra outros personagens como a Bailarina da Praça (Elieuza Ramos Freire); Galdino, mais conhecido como Dr. Raiz; e ainda Carrol, que foi funcionário da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré durante dezoito anos. O músico Bado também é um dos personagens em destaque. O filme foi realizado em 2006 com roteiro e direção de Rogério Moraes. A produção local ficou a cargo de Jurandir Costa e Sérgio P. Cruz.

A sabedoria popular é o mote do documentário, “Profetas da chuva e da esperança”, escrito, produzido e dirigido por Márcia Paraíso. O filme tem como pano de fundo a expectativa de chuva no nordeste e dos chamados “profetas da chuva”, pessoas que vivem para predizer quando irá chover ou se vai chover ou não. São rezadores que traduzem os sinais da natureza que anunciam as chuvas. Depoimentos dos profetas da chuva João Ferreira; Chico Mariano e Antônio Lima.

A seca é tema de outro trabalho - Águas de Romanza, ficção com direção de Gláucia Soares e Patrícia Baía que também assina o roteiro baseado em conto de Eugênio Leandro. Uma menina sonhadora e sua avó que vive das lembranças do marido morto assim como pela esperança de que chova, como prometeu para sua neta. No cenário árido, a esperança brilha nos olhos da menina Romanza, mas que nos olhos de dona Salmantina não passa de uma sombra.

Trabalhos experimentais também integram o acervo do Festcine Amazônia Itinerante: “Na corda bamba” (animação experimental) e “A Rosa” (vídeo experimental). “O primeiro é uma produção do Núcleo de Animação AESO, das Faculdades Integradas Barros Mello. O vídeo é como uma metáfora sobre a vida vazia na cidade grande. Um palhaço resolve caminhar na corda bamba no alto de um edifício para despertar a atenção das pessoas que caminham pelas ruas como fantasmas. A ação do palhaço ocasiona mudanças no comportamento daqueles que assistem seu show”, explica Fernanda Kopanakis.

“O segundo é uma animação. Ao som de um violão plangente surge à imagem de uma favela, as casas que se transformam numa rosa que desabrocha, absorve tudo, e depois murcha para no fim voltar para a imagem inicial. Lirismo em forma de imagem”. A trilha sonora “Daqui eu vejo uma rosa”, de Leandro Lima e Marquinhos Eddie Murphy. O vídeo é uma homenagem ao compositor Cartola, autor de clássicos como As rosas não falam, O mundo é um moinho, entre outros.

O Festcine Amazônia Itinerante conta com o patrocínio do Ministério da Cultura, Petrobrás através da Lei Rouanet, tem ainda o apoio da senadora Fátima Cleide, deputado federal Eduardo Valverde, IBM, Unir, Secel e Prefeitura de Porto Velho.

Assessoria de Imprensa Festcine Amazônia Itinerante 

 


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