Jornal Evangélico
do Amapá

TEMPO AGORA

 
 
 
 
 
   Nome:
  
    E-mail:
  
 
   Cadastrar
   Descadastrar
 
 
 
 
 
GERAL

08 de agosto de 2008

Mulheres amapaenses comemoram dois anos da Lei Maria da Penha
Encontro visa avaliar as conquistas nos últimos dois anos da Lei que
combate a violência contra a mulher no país

O Governo do Amapá, por meio da Secretaria Extraordinária de Políticas para as Mulheres (SEPM) promoveu, no fim da tarde desta quinta-feira, 7, o encontro da Rede de Atendimento à Mulher (RAM), que reúne atualmente cerca de 30 instituições integradas com atividades e ações voltadas para as questões femininas. O objetivo do encontro foi para avaliar as conquistas e comemorar os dois anos de execução da Lei Maria da Penha.

O evento aconteceu no auditório do Centro Hematologia e Hemoterapia do Amapá (Hemoap), e marca positivamente os dois anos da Lei Maria da Penha (11.340/06), no Estado,  criada para instituir sanções e punições contra agressores de mulheres no país. A Lei faz referência a Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu duas tentativas de homicídios de seu ex-marido e resistiu, porém após receber um tiro de revólver ficou paraplégica. Indignada com a falta de punição no país, Maria da Penha se juntou a movimentos sociais e decidiu compartilhar sua experiência.

A secretária extraordinária de Políticas para as Mulheres, Ester de Paula Araújo, ressaltou que o objetivo do encontro é avaliar o impacto da Lei Maria da Penha na prevenção e punição da violência doméstica, além de exigir e pleitear que os mecanismos institucionais de proteção previstos na Lei saiam verdadeiramente do papel. “Os benefícios devem se tornar acessíveis a toda população amapaense”, disse a secretária.

O juiz titular do Núcleo de Atendimento à Mulher (NAM), Augusto César Gomes Leite, ressaltou que a parceria é um instrumento importante para a execução dos trabalhos no combate a violência contra a mulher. Segundo dados do NAM, nos últimos dois anos, 333 homens foram presos em flagrantes, desses 30 foram condenados, 974 inquéritos foram abertos, 887 audiências realizadas, 124 processos sentenciados e duas prisões preventivas decretadas.        

Ester de Paula disse que muito já foi feito e que a continuação deste trabalho, junto com o os governos federal e estadual, Ministério Público, órgãos parceiros e toda a sociedade, devem continuar mobilizando e trabalhando juntos para assim fazer valer em plenitude a igualdade social. “O momento não é apenas para comemorar, mas também é a firmação de compromissos de continuarmos lutando juntos”, afirmou.

Para a promotora de justiça Neuza Rodrigues Barbosa, o Estado não pode ficar isento dessa problemática.  “A violência não afeta só a mulher, mas também filhos e familiares; e a lei veio para interferir na vida dos casais e não permite desistência por parte da vitima”. Segundo ela, antes da Lei Maria da Penha, o acusado era penalizado com cestas básicas, agora o agressor vai para a cadeia ou prestar serviços à sociedade.  

O Governo do Amapá vem desenvolvendo várias ações que acolhem a mulher vítima de violência, como por exemplo, a própria SEPM, que realiza campanhas educativas no combate à violência doméstica, criação do Conselho Estadual de Direitos da Mulher do Amapá, a Delegacia de Crimes Contra a Mulher (DCCM), a criação da RAM e do Centro de Atendimento à Mulher e à Família (Camuf), instituição única no Brasil.

Este ano, o governador Waldez Góes entregou à comunidade o Centro de Referência e Atendimento à Mulher Bem-me-quer, que tem o intuito de garantir a segurança e proteção das mulheres vítima de violência e ainda implantou no Hospital da Mulher um Posto do Departamento Médico Legal (DML). O posto realiza exames para apurar crimes contra a mulher. Os exames de ato libidinoso, conjunção carnal e lesão corporal serão realizados por uma equipe do Instituto de Polícia Técnico-Científica (Politec) que fica de plantão no hospital.

Em 2007, Maria da Penha veio a Macapá e participou da “Marchas das Marias”, um manifesto de alerta à violência contra as mulheres no Estado. A “Marcha da Maria” foi constituída em Macapá, dia 25 de novembro de 2003, por intermédio do projeto Lei 121/03, e faz referência a Maria Zelinda dos Santos Mira. Assassinada aos 15 anos de idade e grávida de seis meses.

Inspiradora da Lei Maria da Penha
A biofarmacêutica, Maria da Penha lutou durante 20 anos para ver seu agressor condenado. Ela marca a luta contra a violência doméstica. Em 1983, o marido de Maria da Penha Maia, o professor universitário Marco Antonio Herredia, tentou matá-la duas vezes. Na primeira vez, deu um tiro e ela ficou paraplégica. Na segunda, tentou eletrocutá-la.

A investigação começou em junho do mesmo ano, mas a denúncia só foi apresentada ao Ministério Público Estadual em setembro de 1984. Oito anos depois, o agressor foi julgado e condenado a oito anos de prisão, mas usou de recursos jurídicos para se proteger da pena. Penha começou a atuar em movimentos sociais contra violência e impunidade e hoje é coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV) no seu estado, o Ceará.

Iracilda Tavares
Assessor de Comunicação Social - DCN / Secom
tavares@secom.ap.gov.br
Fone (96) 3212-1169

 


Hotsites
 
 
Amapá Digital © 2007 • Todos os direitos reservado