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GERAL

21 de abril de 2010

Cracolândia
“Feira do Caranguejo” é desativada e local vira ponto de droga  
Em ritmo acelerado o crack vem destruindo famílias e largando no mundo delinquentes e criminosos, dando a corpos saudáveis semblantes esqueléticos

Carlos Lima (Jornal A Gazeta)

De acordo com a feirante Valda Nunes, de 48 anos, a antiga “Feira do Caranguejo”, localizada na rua São José, no centro de Macapá, desde o ano passado vem servindo de esconderijo para usuários de crack, menores delinquentes e foragidos da justiça. Segundo ela, o problema se intensificou em 2009 com a desativação do espaço que servirá para a edificação do Shopping Popular, projeto municipal. Atualmente, mais de 50 feirantes estão instalados provisoriamente nas calçadas em torno da antiga feira. De acordo com a feirante, no local existem pessoas que trabalham há mais de 40 anos e tiram de lá o sustento das famílias.     

Em ritmo acelerado o crack vem destruindo famílias e largando no mundo cada vez mais delinquentes e criminosos. A droga que mata mais rápido do que qualquer outra substância transforma corpos aparentemente saudáveis em aberrações com semblantes esqueléticos. A pedra elaborada dos restos da cocaína tem levado jovens, adultos e crianças ao fundo do poço. Sem fiscalização, adolescentes, conhecidos popularmente como “cheira cola”, alcoólatras e até foragidos da justiça se reúnem e montam mais uma cracolândia. O terreno oferece as condições ideais para a proliferação do consumo de entorpecentes.

Valda Nunes informou, ainda, que os viciados começam a se reunir a partir de 13 horas, horário em que o movimento é menos intenso. “A polícia precisa agir. Nós trabalhamos até o meio dia, uma hora, e deixamos nossas coisas em depósitos lá dentro. Alguns feirantes costumam passar por aqui de tarde para ver se está tudo certo, se as coisas estão em ordem. É quando eles estão bebendo e fumando. A calçada amanhece cheia de embalagens de droga. Junto com os papudos, vem cheira-cola e até presidiário”, diz a autônoma.  

Outra constatação feita pelos trabalhadores é de que a “Feira do Caranguejo” não abriga somente alcoólatras e menores delinquentes, como a maioria das pessoas acredita. Dona Valda afirmou que em 23 anos de trabalho no local lá já viu e conversou com algumas pessoas que confessavam ser foragidas da justiça. “Eu sei disso porque quando estão bêbados e drogados eles falam tudo. Hoje (terça) cedo, tinha um foragido aqui. Ele disse que deixaram ele sair de dia e voltar de noite, mas ele não voltou. Graças a deus eles não mexem com a gente e também não vendem nada por aqui, eles compram a droga em outra paragem por aí e vem usar aqui”, declarou a feirante.       

A prefeitura já havia sido informada sobre o problema e decidiu ontem mesmo desarmar todas as barracas que restaram na parte interna da área onde será construído o Shopping Popular. De acordo com o secretario de obras da capital, os trabalhos terão início na próxima segunda-feira. A vigilância do local também será reforçada pela Guarda Municipal que fará ronda ostensiva durante do dia. De acordo com a PMM, após a construção, o espaço utilizado pelos trabalhadores, na avenida Antônio Coelho de Carvalho, no centro da cidade, será extinto. Os 62 feirantes registrados serão remanejados para outras feiras e também para o Mercado Municipal, já revitalizado.

Outros locais como a Praça Veiga Cabral, situada em pleno Centro Comercial, uma das mais tradicionais de Macapá, também estão sendo invadidas pela droga. “Tudo indica que o tráfico também está ocorrendo”, comentou um taxista. Quem passa pelo local durante a noite, percebe que os jovens andam a esmo, de um lado para o outro, e se reúnem em locais escuros onde só é possível enxergar os cachimbos e acendedores acesos. Tudo ocorre sem qualquer tipo de repressão da polícia. A proliferação de viciados nas praças e logradouros impõe mudanças na rotina dos locais. Quem precisa pegar ônibus durante a noite tem receio de ser assaltado.

 


 
 
 
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