Instituto Joel Magalhães:
Amapá poderá ganhar primeiro hospital albergue para pacientes com câncer
“Quem tem câncer, tem pressa”. Esse é o slogan do projeto criado pelo padre Paulo, para ajudar no tratamento das pessoas que têm câncer, e também dar apoio às famílias.
Ruanne Lima (Jornal A Gazeta)
Há nove anos, um jovem maranhense chamado Joel Magalhães, de 20 anos de idade, chegou em Macapá para ganhar a vida, como milhares de pessoas fazem todos os anos. Sozinho e sem o apoio da família, em pouco tempo Joel desenvolveu um câncer nos gânglios linfáticos. Desesperado, o jovem procurou pela ajuda do padre Paulo, que atua na paróquia Jesus de Nazaré. Juntos eles lutaram por quatro meses, a fim de conseguir atendimento em um hospital especializado em Belém, no Pará. No dia em que finalmente Joel conseguiu ser atendido, ele veio a falecer.
Este foi o fato decisivo que moveu padre Paulo a se engajar na luta contra o câncer. Motivado pelo amor ao próximo e pela vontade de vencer as barreiras físicas, ainda existentes na rede de saúde, Paulo idealizou o projeto “Joel Magalhães”, para ajudar as pessoas portadoras de câncer, que não tem condições para pagar um tratamento adequado. “Há muito tempo venho tentando colocar em prática este projeto, mas, diante das dificuldades fiquei muito receoso. Agora chegou o momento de colocar o projeto para funcionar”, destacou.
Em um mês, padre Paulo conseguiu juntar mais de 100 voluntários para tornar o instituto uma realidade para os macapaenses. “Eu cresci vendo gente morrer feito bicho, por causa da falta de apoio da rede pública de saúde”, lamentou. O Instituo Joel Magalhães, tem como objetivo dar assistência ao paciente, mas também para a família da pessoa. O intuito do padre é construir um hospital-albergue, que tenha a área de tratamento e também um local que acomode o acompanhante do doente. “O paciente não pode ficar sozinho, ele precisa da ajuda da família, por isso a construção do albergue é imprescindível”, afirmou.
Muitos macapaenses e também pessoas de fora do Estado, que chegam aqui para ganhar a vida, como Joel, em vários casos não têm família, apoio e muito menos, o atendimento necessário. Segundo o padre Paulo, a intenção do projeto não tem finalidade ideológica, religiosa, política ou de classe social, mas sim, ajudar o próximo. “Não adianta apenas lutar com o paciente, devemos reivindicar por políticas públicas que visem a aumentar a especialização deste atendimento”, alertou. O governo do estado deve dar a estrutura necessária ao paciente, para que ele não precise se deslocar para fora do estado e, fiquei em Macapá.
Outra questão abordada pelo padre é o preconceito, que as pessoas portadoras da doenças, ainda enfrentam na sociedade. O trabalho do instituto visa, também, oferecer este esclarecimento. “Em muitas situações, os próprios doentes têm preconceito. Homens que têm câncer de próstata, muitas vezes morrem porque tiveram vergonha de procurar ajuda. Isso precisa mudar”, destacou.
O único pedido urgente do padre é a doação do terreno, para que as obras da construção se iniciem o mais rápido possível. “Nós estamos lutando por essa doação, pois não temos condições de comprá-lo. Assim que o conseguirmos, nós já temos a parceria que irá nos ajudar na construção do hospital albergue”, esclareceu. Paulo ainda afirma que o instituto não discrimina nenhum tipo de colaboração, que quiser ajudar com o trabalho voluntário, também será muito bem vindo.
“Chega de toda esta humilhação que os doentes passam no dia-a-dia. Não queremos mais ver pessoas pedindo ajuda com cartazes, mendigando por dinheiro, remédio e atenção. O governo do estado não pode mais ser negligente”, finalizou padre Paulo.
Câncer no Brasil
Segundo dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 140 mil brasileiros morrem, todos os anos, como vítimas de câncer. No Brasil, os índices de câncer se divide em três partes: causalidade, ocorrência e ações e controle.
Geralmente o aparecimento da doença é associado a exposição da pessoa à fatores de risco, como hábitos do consumo regular de bebidas alcoólicas, tabagismo, sedentarismo, má alimentação e obesidade. O aparecimento do câncer também pode estar ligado à frequente exposição ao sol. Trabalhadores que mantém contato mais tempo com agentes cancerígenos presentes em produtos como o amianto e o alumínio também tendem a desenvolver a doença.
A pesquisa revela também que, entre 1979 e 2004, houve aumento de 95,48% na taxa de mortalidade por câncer de próstata. Também cresceu, nos homens, em 54,24% a taxa de mortalidade por câncer de cólon e reto. Nas mulheres, no mesmo período, estatísticas do estudo revelam que cresceu em 96,95% a taxa de mortalidade por câncer de pulmão. Já a taxa de mortalidade por câncer de mama aumentou 38,62%.
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