Audiências discutem aproveitamento hidrelétrico de F. Gomes
Elas acontecem em Ferreira Gomes e Macapá; primeira audiência pública
está marcada para esta quarta-feira, 22
Uma série de audiências públicas está programada para apreciação do Projeto de Aproveitamento Hidrelétrico (AHE) de Ferreira Gomes. A primeira ocorre nesta quarta-feira, 24, no Centro Comunitário do município, na rua Duque de Caxias, em frente ao rio Araguari, no centro da cidade. A segunda será na quinta, 25, no mesmo município, e a terceira, em Macapá, na sexta, 26, no auditório da Universidade do Estado do Amapá (UEAP).
A importância das audiências, que fazem parte das exigências do Relatório de Impacto Médio Ambiental (Rima), produzido pelo consórcio de construção da obra, (Odebrecht, Neoinvest e Inter Techne), refere-se à exposição que o consórcio faz à população, do conteúdo do Rima, como forma de esclarecer as dúvidas referentes ao projeto em discussões. Os expositores também ouvirão e esclarecerão dúvidas da população, sobre os possíveis impactos ambientais decorrentes da construção da obra.
O desejo do Governo do Estado, a partir da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), é o mesmo do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema): diminuir, ou extinguir qualquer situação da obra que possa causar danos à população local. Segundo o presidente do Coema, Geraldo Capella, já se sabe que a conclusão do projeto vai ter entre outras conseqüências, a retirada de cerca de 2 mil pessoas (500 famílias) que moram nos locais de risco.
“Esta área onde estão as pessoas, vai inundar, e a empresa já prevê a construção de uma residência para cada família em local mais alto”, expõe Capella. Além de atingir as famílias, a construção da hidrelétrica poderá inundar parte de três unidades de Conservação daquele local, como Floresta Nacional do Amapá, Área do Seringal, e de uma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN). A afirmação é do próprio presidente do Coema.
A diminuição de vazante do rio e a retirada de seixo do leito do para construção da obra poderão causar cheias no futuro. Estas são as maiores preocupações dos ribeirinhos, que praticam agricultura e pecuária.
“O Governo e as instituições públicas estão analisando tudo isso com bastante cautela, e é por isso mesmo que iremos ouvir a população”, disse o gestor da Sema, Wagner Costa.
AHE Ferreira Gomes
O Aproveitamento Hidrelétrico (AHE) de Ferreira Gomes é o projeto de construção de uma Usina Hidrelétrica (UH) no município, localizado no rio Araguari, entre a UH do Paredão (Coaracy Nunes) e a ponte Tancredo Neves, que cruza o rio Araguari. A usina deverá gerar 252 MW/h, o que é suficiente para abastecer uma cidade de 800 mil habitantes, com energia elétrica de qualidade, gerada pela força das águas do rio Araguari.
A energia produzida pela força das águas constitui a forma mais utilizada para a produção de energia renovável e a maior fonte de energia limpa do mundo. Hoje, a demanda por energia no Amapá é de cerca de 200MW/h e a produção máxima instalada é só um pouco superior (237MW/h). A maior parte da energia atual é produzida por energias movidas a óleo diesel (70%), que, além de poluidoras, são caras: cerca de 800 mil litros de óleo são usados, por dia, para gerar energia no Amapá, segundo fontes da Eletronorte.
A área total do reservatório a ser construído será de 17,72 km2. Desse total, 6,5 km2 fazem parte do leito natural do rio. Segundo consta nos estudos do Rima, contratados pela Eco Tumucumaque, serão pouco mais de 10 km as áreas inundadas para formação do reservatório.
Programação
A programação das três audiências marcadas para os dias 22 e 23 (em Ferreira Gomes) e 24 (em Macapá), constará de uma abertura dos trabalhos que será feita pelo secretário da Sema, seguida da exposição, pelos empreendedores da obra, e em segundo plano, as manifestações orais ou escritas da população. No final haverá leitura, discussão e aprovação de uma Ata, assinada pelos diretores da empresa, e representantes de órgãos públicos e representativos da população. Caberá ao secretário da Sema, por meio de portaria, a aprovação do projeto.
Edgar Rodrigues
Assessor de Comunicação
Secretaria de Estado da Comunicação |