Candidato Aloprado!
Por Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 20 de julho de 2010.
“Este é um governo safado,
mais um governo que vem
perante a lei fundiária
fará uma reforma agrária
e o povo gritando amém!”.
(Jessier Quirino)
Recebi de meu irmão de arma, e de alma, Coronel de Engenharia Carlos Alfredo Maiolino de Mendonça um dos textos do poeta Jessier Quirino que faço questão de dividir com os leitores. O texto que retrata a indignação de um honesto matuto frente a uma indecorosa proposta política mostra as lambanças a que se sujeitam alguns de nossos mercenários políticos para alcançar, a qualquer preço, seus inconfessos intentos.
- Jessier Quirino
Jessier Quirino se intitula arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Quirino nasceu, em 1954, na cidade de Campina Grande, Paraíba e reside em Itabaiana desde 1983. Filho de Antonio Quirino de Melo e Maria Pompéia de Araújo Melo, concluiu a Faculdade de Arquitetura na UFPB – João Pessoa, em 1982
Quirino é mais que um poeta, é um genial artífice das palavras, dono de um estilo próprio, trabalha com habilidade e inteligência invulgar a prosa, a métrica e a rima como se fosse um “domador de palavras”. Diferente dos repentistas tradicionais, apresenta-se individualmente como “boi de arado”, conseguindo graças à qualidade de sua obra e seu carisma encantar a platéia.
- Candidato Aloprado!
Fonte: Jessir Quirino (www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=26179)
“Nós estamos em época de campanha, eu sempre nas minhas histórias estou do lado do matuto. Eu sou devoto da sabedoria do matuto. Não tem quem enrole o matuto não. Tem a história de coronel que tentava botar um matuto numa campanha política do lado do coronel.
Coronel: Aí disse: Nego foda, você vai ser candidato nessa campanha!
Matuto: Ele disse: Eu coronel???
Coronel: Você mesmo, você vai ser candidato, você vai defender meus interesses e não sei o quê.
Matuto: Coronel eu vou dizer um negócio a vosmicê, viu. Eu que sou um homem ‘expromentado’, vivido e viajado nas beiras da postulança ‘political’. Eu vou lhe dizer um retáio de ‘sabença’ que é a pronúncia mais ‘apronunciada’ sobre política que ‘inxeste’ neste mundo ‘selvageado’ pelos animais, ‘vegetariado’ e varrido pelas palhas do coqueiro e aguado pelas ondas do mar. Além de sintoma ‘prefeituroso’, embocadura ‘deputadal’, canxa de guvernador e senador e sustância de presidente, o cabra pra ser político no Brasil precisa no mini, ‘minimoro’ dos seguintes ‘adjuntórios’, dois pontos:
Primeiro começar juntar dinheiro pra depois começa juntar gente. Engolir muita ‘rimunheta’ de cabra falso, ‘felaputista’ e pidão. Desatar nó cego de convenção. Escutar ‘caqueado’ dificultoso de partidário que só tem um voto e olhe lá. Entrar em ‘embuança’ de campanha. Prometer como sem falta e faltar como sem dúvida.
Ficar refém da língua do povo. Pegar roleta de boca com ‘camobembe’. Fazer conchavo com reservista da ditadura. ‘Descaviar’ o caminho mode os ‘quixó’ da oposição. Receitar pra mais de monte. Desmurmurar mulher falsa e coiseira. Acompanhar enrolamento de papel de justiça. Levar fama de ter ‘estrabicado’ moça donzela. Levar fama de ser corno, baitola e ladrão.
Aguentar ‘fazimento’ de pouco de eleitor desbriado. Buta tamanca pra opositor bom de peia. Bater quinhentos de bombo com xangozeiro. Gritar aleluia em igreja pegue e pague. Alegrar sessão espírita. Assistir meia missa e sair comungado. Batizar menino feio com o nome de Desmenielirson Jerry.
Dar de comer do bom e comer porcaria. Almoçar em lata de goibada. Despronunciar discurso mal feito de candidato ‘tabacudo’. Aplaudir discurso desvirgulado, sem rumo e sem ponto final. Aturar converseiro duplicado de mesmo depois de banzeiro.
Aturar gente furona e desconhecida dentro de casa. Viver rindo e fumaçando pelo fundo feito ferro de engomar. Acabar sua D vintezinha na buraqueira. Aturar babões civis e militares. Botar no braço menino novo do fundo cagado.
Tomar cerveja quente de espuma murcha. Tomar uísque Drure, sem gelo numa xícara de louça com tira-gosto de canjica. Beber naquelas mesonas de ‘embuía’ numa saleta escura e abafada encostado numa cristaleira e cercado de cabos eleitorais com cada suvaqueira de torar.
Entregar taça de campeão a time safado. Chorar em velório de desconhecido. Professorar as iniciais de nome de campanha pra eleitor tapado. Escorregar em lama de esgoto. Grita ‘oh de casa’ em casa oca. Se abrir pra eleitor desabrido. Pagar cana pra pinguço desocupado.
Farejar poeira de bunda em palanque. Levar dedada, no cá pra nós, quando tá nos braços do povo. Escutar destampatório de foguetão no pé do ouvido. Magoar o dedo midinho em passeata. Dormir chiquerado da mulher e dos filho. Apertar mão de cotó. Ganhar abraço fedorento. Receitar caixão de defunto e ambulânça.
Enfiar a mão em saco de dentadura pra distribuir com a mundiça. Comprar votos em dia de eleição. Estelionatar votos em boca de urna. Entrar em embuança de apuração. Dar cobro de voto roubado. Apertar a mão de traidor oportunista. E depois de eleito começar essa camubemagem toda de novo.
Deus o livre de eu sair candidato. Chega me faltou suspiração e eu vou parar por aqui porque conversa de político é feito coceira só qué um pézinho”.
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E-mail: hiramrs@terra.com.br
quatro comparsas
Carlos Lima (Jornal A Gazeta)
A polícia ouviu nesta segunda-feira (19) a empregada doméstica espancada durante um assalto à residência ocorrido no último domingo (18), no bairro Marabaixo. Através dela, chegou-se a dois funcionários que trabalhavam a cerca de dois meses em uma empresa de mármore que pertence ao empresário Sérgio Lara dos Santos, de 40 anos, proprietário da casa assaltada. Um dos assaltantes foi reconhecido quando a empregada esteve na marmoraria para falar com o patrão. Uma criança de sete anos que testemunhou a ação da quadrilha também reconheceu o criminoso.
Segundo a polícia, um dos acusados foi quem agrediu a coronhadas na cabeça a empregada identificada pela polícia como Benedita. A residência roubada fica no loteamento Bela Ville, às proximidades da rodovia Duca Serra, no bairro Marabaixo III e foi invadida por volta de 20h. O empresário estava de viagem para Laranjal do Jarí (AP) na ocasião do assalto e foi informado por telefone sobre o ocorrido. Após a prisão, Sérgio classificou o crime como um “acontecimento triste”, que afetou, sobretudo, o fator psicológico das vítimas.
“Cara de pau”
O suposto assaltante José Augusto de Melo Cruz, de 27 anos, trabalhou normalmente na segunda-feira como se nada tivesse acontecido, mas foi preso pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e encaminhado à seccional de flagrantes do pacoval com o uniforme da empresa, juntamente com Claudenir da Silva Rodrigues, de 23, comparsa capturado em outra diligência. Segundo informações de Sérgio, seis pessoas fazem parte da quadrilha que invadiu a residência por volta de 20h, de “armas em punho”, e fez um arrastão.
Uma senhora de idade, que prestava serviços domésticos, e uma criança de sete anos foram rendidas e humilhadas pelos bandidos. “Eu estava em Laranjal do Jarí quando recebi a notícia de que haviam entrado em minha casa e agredido a minha empregada”, declarou Sérgio. O empresário informou, ainda, que a quadrilha também invadiu a marmoraria durante a noite e quebrou vários objetos e portas.
A procura do cofre
Na casa, eles derrubaram o portão, arrombaram as portas e reviraram todos os cômodos em busca de dinheiro e jóias. “Eles buscavam um cofre que não existia”, frisou Lara. Tanto a empregada quanto a criança fizeram o reconhecimentos dos criminosos. “Eles abriram a cabeça da minha empregada de um lado pro outro com coronhadas. Ela levou 16 pontos”, conta. “Todos agiram de cara limpa”, completou Sérgio, contando que vários pertences foram levados da casa, entre eles um notebook e 200 frascos de perfume.
Trama
A equipe do tenente Rogério, da Rotam, foi quem efetuou a prisão de José Augusto de Melo Cruz e Claudenir da Silva Rodrigues. Eles foram indiciados e encaminhados na manhã de terça-feira à penitenciária. Um deles trabalhava na entrega de material e o outro fazia serviços gerais, ambos estavam na empresa a cerca de dois meses, tempo suficiente para tramar o assalto. Claudemir é natural do Afuá, no estado do Pará e residia no bairro Fonte Nova, em Santana.
A polícia fez diligências na casa dele a procura da materialidade do crime, mas nada foi encontrado. Sérgio ressaltou que teme por represália da família por isso providenciou a instalação de um sistema de segurança na casa. “Os seis entraram de arma em punho”, “Destruíram toda aporta da sala de jantar e as portas dos quartos”. Já estou providenciando a instalação de um sistema de segurança.
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