Suicídio ou assassinato?
Mistério ronda morte de vigilante em Santana
Segundo a Perícia Técnica, o cadáver de José Rodrigues possuía cinco perfurações de arma branca, indicando que houve reação da ex-esposa às agressões do vigilante
Carlos Lima
O clima era de desconfiança na travessa Manoel Pereira Rocha, número 1336, no bairro Nova Brasília, em Santana. Após 24 horas da misteriosa morte do vigilante José Rodrigues dos Santos, de 53 anos, que chocou toda a vizinhança e deixou uma criança de 7 anos em estado de pânico, muitas dúvidas ainda pairam. Segundo a proprietária do imóvel, parentes da inquilina envolvida no caso lavaram a cena do crime poucas horas após o fato, com o consentimento da perícia. Outra dúvida é se realmente a criança presenciou a mãe sendo esfaqueada.
De acordo com o inquilino do apartamento em frente, o vigilante José Rodrigues dos Santos tombou morto no corredor enquanto o filho de 7 anos jogava videogame na sala. O fato ocorreu supostamente depois dele ter desferido várias facadas na ex-esposa Carmem Lúcia Cardoso de Almeida, de 32 anos, funcionária de um supermercado. O primeiro boato sobre o caso é de que ele teria se suicidado em ato contínuo à agressão contra a ex-esposa. De acordo com a vizinhança, só havia três pessoas na casa no momento da tragédia, sendo que a criança permaneceu na sala e os pais no quarto. A polícia a descartou a possibilidade de um quarto elemento no imóvel.
A primeira conjectura de possível suicídio praticado por José Rodrigues caiu por terra com o resultado do laudo da necropsia, que analisou cinco perfurações da faca em regiões diferentes do corpo do vigilante, inclusive em locais onde dificilmente ele próprio teria se esfaqueado. A dona da vila, que pediu para não ser identificada, contou que o casal havia se separado há poucos dias, e Carmem teria se mudado a pouco mais de duas semanas para a vila.
Ela afirmou, no entanto, que José Rodrigues foi quem a procurou para fechar contrato de aluguel. Carmem residia com três filhos no kit net de número 1336, mas apenas um dos garotos estava na casa no dia do fato. De acordo com informações de vizinhos, a criança estava jogando videogame quando de repente viu o pai cair morto no corredor e correu para pedir ajuda. “É difícil afirmar o que exatamente aconteceu no quarto, pois os dois estavam sozinhos de acordo com o menino. A gente sabe que o garoto estava na sala e veio correndo dizendo que o pai tinha matado a mãe”, conta o morador.
Segundo laudo da Polícia Técnico-científico (Politec), o cadáver de José Rodrigues possuía cinco perfurações de arma branca, indicando que houve reação da ex-esposa às agressões do ex-marido. A polícia chegou à conclusão de que o caso pode não ser de suicídio, mas de assassinato em relação à morte de José Rodrigues. Embora o caso esteja abarrotado de incertezas, a cena do crime foi liberada pela perícia e lavada por parente de Carmem poucas horas após o fato.
Ainda segundo a proprietária da vila, não foram ouvidos gritos dentro do Kit Net como divulgaram alguns veículos de imprensa. “O garoto saiu correndo de dentro da casa dizendo que o pai tinha matado a mãe”, ressaltou a moradora, afirmando que não ouviu gritos. Até a tarde de ontem, Carmem Lúcia Cardoso de Almeida permanecia internada no hospital de Santana entre a vida e a morte, enquanto o velório do vigilante seguia normalmente.
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