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GERAL

24 de Setembro de 2010

Meio ambiente
Falta de árvores contribuiu para alta temperatura em Macapá

Na capital do Estado conhecido pela preservação da floresta, parte da área urbana necessita de arborização

Gilberto Pimentel (Jornal A Gazeta)
A população macapaense tem sentido na pele que a temperatura do clima está cada vez mais alta. Na cidade cortada pela linha do Equador, onde a máxima chega aos 40° com facilidade, há regiões em que a sensação de calor é ainda maior. Isso ocorre principalmente nos bairros criados há pouco tempo. A justificativa está na falta de árvores nessas áreas, que tiveram toda a vegetação retirada para dar lugar à ocupação urbana.

Na zona norte da cidade, o bairro Ipê é um exemplo claro do aumento na temperatura do clima pela falta de arborização. A aposentada Maria do Espírito Santo, que mudou do Laguinho para o Ipê há três anos, disse que foi como se tivesse mudado de cidade. “É totalmente diferente. Lá era bem mais fresco,não tinha tanto calor. Aqui não,é como se eu estivesse no nordeste”, relatou.

Os moradores do bairro do Laguinho são, sim, privilegiados nesse aspecto. É um dos primeiros bairros de Macapá, criado na época do território para abrigas as famílias que moravam no centro da cidade. Por causa dos fortes laços com o Pará, a árvore símbolo do bairro não poderia ser outra: a mangueira. Hoje, quem mora ou passa pela rua General Rondon, entre as avenidas Ernestino Borges e Nações Unidas, sente que o clima é bem mais ameno.

Além de dar uma sensação de frescor, as árvores atuam como coletoras de gás carbônico. Um hectare de novas florestas retém até 6,25 toneladas deste gás ao ano. As árvores podem absorver CO2 a um ritmo de 6 quilos por árvore ao ano. Como forma de reduzir o aquecimento e embelezar a cidade, a Secretaria de Meio Ambiente de Macapá (Semam) desenvolve um projeto de arborização, que passa pelo plantio de mudas, substituição de algumas espécies por outras mais adequadas ao solo local e doação de mudas. Ano passado, no Ipê, foram plantadas 350 mudas das espécies alvineira, oiti e ipê amarelo. Mas os reflexos só poderão ser sentidos pelos moradores daqui a seis anos, quando as árvores atingirem a idade adulta.

O trabalho de arborização também passou pelo canteiro central da rodovia Tancredo Neves, na zona norte. Algumas árvores já oferecem sombra, outras estão em fase de crescimento. Segundo o diretor de Meio Ambiente da Semam, Túlio Pantoja, o trabalho ainda prevê a substituição de algumas plantas. “Muitas espécies têm raízes que prejudicam as calçadas e causam irritação e até queimaduras na pele das pessoas. Por isso, vamos substituir por esses três tipos que estamos trabalhando [alvineira, oiti e ipê amarelo], que se adaptam bem ao nosso clima”, explicou.

Além de fazer o trabalho de plantio, a secretaria doa mudas para as pessoas interessadas em ter uma árvore no quintal de casa. Nesse caso, o diretor faz um alerta: depois que atingir a idade adulta, o responsável não poderá cortá-la. “Nessa fase, a árvore não pertence mais a ele e, sim, à comunidade. Se ele achar que deve ser cortada, tem que comunicar a secretaria. Nossos técnicos vão ao local verificar a situação e, se houver necessidade, eles fazem a podagem. Se ele cortar por conta própria estará cometendo um crime”, disse.

A preocupação das autoridades ambientais é para que as espécies que levam anos para atingirem a idade adulta sejam derrubadas em minutos, contribuindo, assim, para o aquecimento global.

 


 
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