Jornal Evangélico
do Amapá

TEMPO AGORA

 
 
 
 
 
 
   Nome:
  
    E-mail:
  
 
   Cadastrar
   Descadastrar
 
 
 
 
GERAL

5 e 6 de Setembro de 2010

A nova perspectiva da educação para a vida


  Autor: Nelson Tanuma

  Na jornada rumo ao desenvolvimento integral do ser humano, mais especificamente no que tange à educação formal, podemos perceber com clareza cada vez maior, a necessidade urgente de que as regras e métodos pedagógicos fiquem subordinados ao objetivo único de permitir a manifestação da individualidade específica da criança, e que pais e professores precisam encontrar o caminho que os levarão à compreender melhor a criança. Deverão ser levados em consideração seus dons especiais e também suas dificuldades em relação a determinadas matérias curriculares.

   Ainda que o sistema educacional brasileiro seja deficitário, inclusive em face da escassez de recursos e professores, faz-se necessário que os educadores passem a dar maior ênfase à manifestação da individualidade específica de cada criança, em especial, buscando detectar os dons e competências inatas solicitando reiteradamente feedback acerca do que eles mais gostam de fazer.

   Há relevância e urgência da aplicação da educação direcionada para a autonomia desde os primeiros anos escolares preconizada pelo educador Paulo Freire, onde o que importa é ensinar a criança a pescar, e não passar a vida tentando pegar o peixe para ele.

   Muito do que se aprende na escola não tem utilidade prática no nosso cotidiano, boa parte do que aprendemos nas aulas de matemática, física, química, biologia, entre outras matérias não têm servido como recursos válidos para nos dar garantias de venhamos a ter mais chances de sermos bem sucedidos em nossas vidas pessoais e profissionais.

   O educador Paulo Freire tem feito duras críticas ao que chama de ensino “bancário”, burocratizado, do tipo receita de bolo, que tolhe a criatividade tanto de educandos quanto de educadores. Não tenho dúvidas de que seja importante que o educando cultive dentro de si o espírito empreendedor e rebelde que faz aguçar a sua curiosidade e estimula sua capacidade de correr riscos e de aventurar-se, nem que tal conduta, de certa maneira, imuniza o estudante do poder apassivador do que Paulo Freire chama de bancarismo.  Somente os seres humanos são dotados da capacidade de ir além dos seus paradigmas condicionantes. Cabe ao educador democrático, na sua docência, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade e sua insubmissão salutar.  A educação para a vida exige a presença de educadores e educandos proativos, criativos, instigadores, inquietos, e especialmente, curiosos, flexíveis, humildes e persistentes. É essencial que haja, liberdade, autonomia e respeito muito, dentro dos limites do respeito com que o professor deve ser tratado pelo aluno e vice-versa.

   Tenho tido experiências como docente do Departamento de Educação profissional da Fundação BRADESCO, onde tive a oportunidade de ministrar aulas para jovens com idade que varia entre 16 e 21 anos, no Programa Jovem Aprendiz, e percebo que o  desenvolvimento de competências comportamentais é vital para o futuro desses jovens.

   A teoria da inteligência emocional preconizada pelo Dr. Daniel Goleman, da Universidade de Harvard,  demonstrou de forma científica que o QI (quociente e inteligência) é responsável apenas pela quarta parte dos fatores que conduzem o ser humano ao sucesso pessoal e profissional, enquanto que o QE (quociente de inteligência emocional) é responsável pela maior parte desses fatores.

   Precisamos dar autonomia à nossas crianças e parar de agir como se somente as extrovertidas fossem normais. Precisamos trabalhar o desenvolvimento da inteligência intrapessoal (competências comportamentais internas) de todas as crianças, sejam elas introvertidas ou extrovertidas; parando de tentar fazer com que os alunos ajam de forma contrária  às suas inclinações latentes. Valorizar o potencial específico de cada criança, recompensando-o através do elogio sincero, quando merecido, é um bom começo.

   A psiquiatra e educadora Nise da Silveira ensina que: “Os indivíduos estão inconscientes dos problemas da vida adulta; pior que isso, procuram disfarçá-los conscientemente, transpondo erroneamente este ideal para a infância”.

   Nise vê algo de má-fé em nosso entusiasmo pedagógico, uma vez que falamos apenas sobre as crianças e muitas vezes esquecemos dos adultos.  Ela acredita que ao tratarmos da educação, deveríamos ter em vista a criança que existem no adulto, pois segundo ela: “em cada adulto está escondida uma criança – uma eterna criança, algo que está sempre crescendo, que nunca se completa e exige incessante cuidado, atenção e educação”. O espírito lúdico de nossa “criança interior”, no que diz respeito, por exemplo, a capacidade de maravilhar-se com as novidades e de brincar, deve ser cultivado, independentemente de nossa idade cronológica. Assim, para que a educação seja eficaz no enfrentamento e resolução das dificuldades e problemas da vida adulta, deve ser dirigida às crianças, jovens e adultos.

É preciso, entretanto, evitar a cilada do auto-engano dos adultos que manifestam a chamada “síndrome de Peter Pan”, e que agem como o menino da fábula criada por J. M. Barrie, que recusava-se a crescer e queria ficar para sempre na “terra do nunca”, ou seja, na “terra do faz de conta”.  Daí a importância dos treinamentos de desenvolvimento de competências comportamentais

   Carl Gustav Jung, psicólogo, discípulo de Freud e primeiro presidente da Associação Psicanalítica Internacional, na mesma direção de Nise, afirmou que o chamado “furor pedagógico moderno” é uma evasiva para o enfrentamento dos problemas da educação, já que os germes do desenvolvimento que se fizeram notar na infância e na juventude só atingem a maturidade na idade adulta, e que, somente na idade adulta os elementos que compõe a psique poderão organizar-se numa “totalidade determinada, capaz de resistência provida de força”, que mereça a denominação de “personalidade”.

   Em um de seus últimos livros: “Presente e Futuro”, publicado em 1957, considerado por muitos como: “o testamento de Jung”, ele denuncia com veemência a ação estranguladora das influências coletivas sobre o indivíduo, provenientes da educação, do Estado de credos religiosos. O futuro da humanidade, segundo ele, dependerá do número de homens que logrem desenvolver o potencial e consciência num grau acima da média e do senso comum.

   Hoje percebemos de forma clara, o alto grau de influência coletiva exercida pela mídia, especialmente a televisiva onde se criam astros e estrelas voláteis de forma instantânea nesses programas de confinamento  como “big brother”, onde o programa encarna a figura do  “grande irmão” que tudo vê, tudo escuta e tudo sabe. Esse “grande irmão televisivo” tem o poder de criar um senso comum,  distorcendo a percepção dos telespectadores, fazendo-os acreditar piamente que os tais astros e estrelas instantâneas são pessoas de fato notáveis e dignos de serem reverenciados e até idolatrados.

   Em relação à educação, Jung procurou alertar-nos sobre a comoditização do ensino, e, mais que isso, da robotização do ser humano com a  transformação do cidadão em “vaquinha de presépio”, sem visão crítica e liberdade de expressão.

   A educação do adulto só estará completa, quando o ser humano for capaz de descobrir qual é seu papel na sociedade e viver de forma consciente o curso de sua vida, ciente da capacidade que tem de criar o seu próprio destino e influir nos desígnios da humanidade.

   Tudo que acontece na vida de cada indivíduo é responsabilidade dele próprio. Todos nós colhemos apenas e tão somente aquilo que plantamos.

    Liberte sua criança interior. Libere o potencial.  Reconheça o potencial. Recompense o seu próprio potencial e também o das outras pessoas. Educar é um ato de amor.

 

 

 


Hotsites
 
 
Amapá Digital © 2007 • Todos os direitos reservado