Comissões de Direitos Humanos buscam informações
sobre caso de Exploração sexual das índias de Tucano
Indias da localidade de Tucano estão sendo
estupradas e trocadas por drogas
Everlando Mathias
Preocupados com a gravidade da denúncia e a repercussão nacional que indiazinhas, de 11 anos de idade estão sendo estupradas, serviciadas e trocadas por drogas na localidade de Tucano, na Perimetral Norte, no Estado do Amapá, as Comissões de Direitos Humanos (CDH), da Assembléia Legislativa amapaense e da Câmara dos Deputados, estiveram na tarde de ontem (17), reunidas com o administrador regional da Funai em Macapá, Frederico de Miranda Oliveira e presidentes de várias associações indígenas que defende os direitos dos cerca de 760 índios da tribo Waiãpis, que ocupam uma área de 600 mil hectares.
O presidente da CDH amapaense deputado Camilo Capiberibe (PSB) e o vice- presidente deputado Paulo José (DEM), em companhia da deputada federal Janete Capiberibe, da Comissão de Direitos Humanos, da Câmara Federal, ouviram explicações do administrador da Funai, que alegou não ter conhecimento. “É gravíssima essa denúncia. Não tenho nenhuma informação sobre fato desse tipo na localidade”, frisou, surpreso Frederico Oliveira, informando que o órgão tem oferecido denúncias as autoridades sobre fatos que ocorrem dentro das áreas indígenas. “E essa não seria diferente”.
Camilo Capiberibe afirmou que abre mão do recesso parlamentar para investigar o caso. “Essa questão é muito séria e muito grave, não podemos deixar para depois, a Assembléia Legislativa tem que tomar providências agora, já” - afirmou o deputado estadual Camilo Capiberibe.
Ainda no período da tarde os representantes das comissões, apresentaram denúncias no Ministério Público Federal e Polícia Federal. O caso já está sendo investigado pelo serviço de inteligência da Polícia Civil.
O presidente do Conselho das Aldeias Waiãpis (Apina), Jawaapuku Waiãpi, disse que todas as manhãs os caciques das 48 aldeias da tribo Waiãpi, comunicam-se entre si através do rádio amador e desconhece qualquer informação dessa natureza. Ele explicou que uma índia dessa idade não tem permissão para deixar a aldeia. “Elas só saem acompanhadas dos pais, principalmente para o município de Serra do Navio, o vão receber o pagamento da aposentadoria, ou acompanhadas dos maridos, quando estão mais velhas. A distância entre as aldeias é muito grande e não confiamos a aproximação com homem branco”, frisou em tom de revolta.
O cacique Missico Waiãpi, da Associação dos Povos Indígenas do Oiapoque (APIO), também se mostrou surpreso com o fato.
O tesoureiro da Associação dos Povos Indígenas Waiãpis – Triângulo do Amaparí (Apiwa-Ta), Calbi Amazonas de Souza, disse que só ficou sabendo do fato ao ligar o rádio pela manhã e ficou revoltado com a informação. “Estão querendo denegrir a imagens de nós índios”, frisou.
O auxiliar de sertanista da Funai, Militino Mendes, que trabalha a quase 20 anos na área, disse que dentro da tribo Waiãpi não há possibilidade de acontecer. “Pode ter acontecido em outro grupo”, explicou.
O assunto também ganhou eco na Câmara Federal, onde o deputado Paulo Paim (PT-RS), que em seu discurso repudiou a ação de exploração sexual, imputadas principalmente pelos garimpeiros às meninas das aldeias Tucano, que além disso, ainda são usadas como moeda de troca. O parlamentar pediu providências das autoridades.
Fotos: Jaciguara Cruz
Everlando Mathias
Assessor de Comunicação
(96) 3212-8311/9981-6281