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GERAL

18 de dezembro de 2007

Delegada frustra membros da CDH e índios no caso das índias de Tucano

A ausência da delegada de Polícia Civil, Janete Picanço, lotada no município de Serra do Navio, autora da denúncia que indiazinhas, de 11 anos de idade estão sendo estupradas, serviciadas e trocadas por drogas na localidade de Tucano II, na Perimetral Norte, no Estado do Amapá, frustrou em parte os membros da Comissão de Direitos Humanos (CDH), da Assembléia Legislativa do Amapá e da Câmara dos Deputados, além de representante da Funai e os presidentes das associações indígenas que estiveram presente na sessão de ontem (18), e esperavam ouvir em depoimento da delegada a confirmação sobre o caso.

O presidente da CDH, deputado Camilo Capiberibe, disse que a ausência da denunciante é preocupante em virtude já o delegado geral de Polícia, Paulo César, havia confirmado e não justificou a ausência. “Ficou uma dúvida, quanto a veracidade do fato, já que a mesma não tem procurado sustentar a denúncia. Isso fica parecendo que não é verdadeira”, frisou.

Segundo o deputado Camilo Capiberibe, a comissão vai reiterar o convite para que a denunciante possa comparecer na próxima quinta-feira (20), pela manhã na Assembléia Legislativa e prestar os esclarecimentos. “Se ela faltou com a verdade, tem que dizer publicamente. A denúncia é muito séria. Sendo verdade, ela tem que dar os detalhes para que possamos apurar”, comentou o deputado, informando que a comissão está na expectativa de ouvir a delegada antes do recesso parlamentar, que inicia dia 20 deste mês e vai até o final de janeiro do próximo ano. A deputada federal Janete Capiberibe, indicada pela bancada federal para acompanhar o caso, também se mostrou revoltada com a vagância de informações.

Ao sair da audiência da comissão, os índios mostraram indignação com o assunto. “A comunidade indígena quer a verdade, não some um povo nosso sem nós saber”, comentou o tesoureiro da Associação dos Povos Indígenas Waiãpis – Triângulo do Amaparí (Apiwa-Ta), Calbi Amazonas de Souza.

No seu depoimento à Comissão de Direitos Humanos na Assembléia Legislativa, o administrador regional da Funai em Macapá, Frederico de Miranda Oliveira, voltou a afirmar que não tem conhecimento do caso. “São cerca de 760 índios da tribo Waiãpis, que ocupam uma área de 600 mil hectares. Eles são muito organizados e não admitem fatos dessa natureza”, frisou.

O presidente do Conselho das Aldeias Waiãpis (Apina), Jawaapuku Waiãpi, voltou a afirmar que todas as manhãs os caciques das 48 aldeias da tribo Waiãpi, comunicam-se entre si através do rádio amador e desconhece qualquer informação, classificado por ele de boato. Ele explicou que uma índia dessa idade não tem permissão para deixar a aldeia. “Elas só saem acompanhadas dos pais, principalmente para o município de Serra do Navio, o vão receber o pagamento da aposentadoria, ou acompanhadas dos maridos, quando estão mais velhas. A distância entre as aldeias é muito grande e não confiamos a aproximação com homem branco”, frisou em tom de revolta.

Everlando Mathias
Assessor de Comunicação
(96) 3212-8311/9981-6281

 
 
 
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