Mês da Consciência Negra fecha com sanção da lei que torna gengibirra patrimônio imaterial

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Para encerrar com chave de ouro a programação do Mês da Consciência Negra, que segue até esta sexta-feira, 6, o governador do Estado, Waldez Góes, sancionou, nesta quinta-feira, 5, a lei que declara a gengibirra patrimônio cultural imaterial do Amapá. A bebida, feita à base de gengibre, açúcar e aguardente, é um dos elementos do marabaixo, uma das mais fortes e autênticas manifestações culturais amapaenses, declarado patrimônio imaterial do Brasil há um ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Ao longo da história, o processo de preparação da bebida até sofreu transformações: antes, era necessário esperar dias pela fermentação do próprio gengibre, e, hoje, é feita com o gengibre triturado, coado, adoçado e o preparo é com ou sem bebida alcoólica. Mas, mesmo assim, não perdeu sua essência e importância nas rodas de marabaixo.

De acordo com a tradição, entre outras características, a gengibirra serve para fortalecer a voz dos cantadores e cantadoras na hora de puxar os ladrões (versos) do marabaixo, além de dar vigor para as dançadeiras e dançadores, se convertendo em um tipo de bebida ritual.

“Antigamente, quem fazia o marabaixo não tinha sonorização, com caixas e microfone. A gengibirra era o unguento para a garganta, os festeiros faziam, deixavam fermentar e adoçavam com mel de abelha. E, assim, a voz dos antigos aguentava o ritmo dos festejos”, explica Laura Ramos, integrante do grupo Raimundo Ladislau.

A matéria que torna a gengibirra patrimônio cultural imaterial do Amapá é de autoria da deputada Cristina Almeida.

No gosto do público

Servida gratuitamente nas festas de marabaixo, a gengibirra extrapolou sua importância cultural e caiu no gosto do público, ganhou até alguns fabricantes em maior escala, e hoje é comercializada dentro e fora do Amapá. Laura Ramos diz que, além de uma forma de empreender, também é uma possibilidade de levar um pouco da cultura amapaense, através de um produto genuinamente regional.

“O povo gosta, compra, tem gente que encomenda até. Recentemente, fiz uma viagem para Caiena [capital da Guiana Francesa], levei 150 garrafas, vendi todas e ainda queriam mais”, diz Laura, que comercializa a bebida.

 

Por: Gabriel Penha /  Foto: Gabriel Penha/Arquivo

 



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