Prejuízos emocionais serão evitados com o retorno das aulas presenciais, opinam educadores

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Diversas escolas particulares passam a adotar o ensino híbrido a partir de fevereiro

 

Desde que a pandemia do novo coronavírus foi anunciada, diversos estabelecimentos precisaram fechar as portas e, quando possível, adotaram o on-line para dar continuidade às suas atividades. As instituições de ensino seguiram o mesmo caminho. Agora, após meses com as portas fechadas, a volta às aulas presenciais está programada para o início de fevereiro em algumas cidades do país. A decisão tem o apoio de pais e educadores que estão preocupados com a saúde mental dos jovens longe das escolas.

Priscila Raso é diretora do Colégio Essere, em São Paulo, e opina sobre o retorno as aulas nas diferentes etapas de ensino. “O desafio para os profissionais da educação que lidam com o público infantil vai ser trabalhar a questão emocional na volta às aulas. Com os alunos menores o processo é mais delicado, pois envolve o emocional das crianças. Por isso, manter o vínculo da criança com a escola durante o isolamento social é importante, pois esse período mexeu muito com a saúde mental das crianças”, avalia.

Já a advogada Elaine Pontes, que trabalha no Colégio Carrazzoni, relata que houve muitas queixas dos pais no início da pandemia e, neste ano, “foi quase que unânime o clamor pelas aulas presenciais”.

Protocolo de segurança

Em João Pessoa (PB), o governo autorizou a retomada das aulas presenciais do ensino infantil ao médio. Na cidade, a instituição Neo Gênesis Colégio e Curso é uma das que estão preparadas para receber os estudantes com toda a segurança exigida pelos protocolos de prevenção à Covid-19. “Estamos seguindo todas as recomendações ditadas pelo governo. Tomamos todos os cuidados para não haver aglomeração, cuidados com a sinalização, disponibilização de álcool em gel, modificamos o bebedouro para facilitar que os alunos bebam água em garrafinhas individuais e vamos fechar algumas áreas da escola”, diz o diretor Phelipe Ferreira.

Prejuízos emocionais

A relação do estudante com a escola contribui para o desenvolvimento das capacidades coletivas e individuais. O prejuízo de deixar o aluno muito tempo afastado do ambiente escolar não é só acadêmico. Pedagogos e psicopedagogos destacam que há perdas emocionais quando o vínculo com a escola se rompe.

O convívio escolar é propício para a expressão de sentimentos, de acordo com a psicóloga Sabrina Costa. “A escola pode ajudar os alunos a estarem conectados com a vida, além de fazer com que criem espaço de transparência e diálogo”, ressalta.

Para o diretor escolar Phelipe Ferreira, o prejuízo vai além do conteúdo. “Na minha visão, não é só a perda de socialização, de contato físico, do contato com a escola. O conteúdo a gente recupera, mas o tempo sem o contato com as pessoas pode prejudicar a mente das crianças”, argumenta.

Retorno com ensino híbrido

Um levantamento conduzido pela Fundação Lemann, em julho de 2020, ouviu pais de estudantes em todo o país e chegou à conclusão de que o ensino híbrido é apontado como uma das alternativas apoiadas por esses responsáveis. 

Dentre as alternativas para a retomada das aulas com segurança, respeitando o distanciamento social e a capacidade de cada sala de aula, a pesquisa mostrou que 92% dos pais defendem a continuidade das atividades virtuais em casa em conjunto com as aulas presenciais (ensino híbrido).

O ensino híbrido é a escolha dos colégios Carrazzoni e Neo Gênesis, ambas de João Pessoa. O revezamento entre estudantes e a opção de acompanhar as aulas em casa também serão adotados.

No estado do Espírito Santo o retorno presencial das aulas na rede particular está previsto para ser gradual a partir do dia 01 de fevereiro, de acordo com o Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES). O ensino também ocorrerá de forma híbrida, sendo que em algumas escolas haverá revezamento semanal e intervalos para entrada e saída das turmas para evitar aglomeração.

Já em Minas Gerais, onde Belo Horizonte ultrapassou a marca de 2 mil pessoas mortas pela Covid-19, segundo o G1, ainda não há consenso sobre a volta às aulas presenciais. Neste mês de janeiro, representantes de escolas particulares da região se uniram para pedir ao governo o breve retorno. “Escolas não foram responsáveis pelo aumento do número de casos de Covid-19 e não se pode mais continuar a sufocá-las, enquanto crianças e adolescentes, a cada dia se fragilizam/adoecem psicologicamente”, diz trecho de carta enviada à gestão estadual.

Em Salvador, capital da Bahia, pais de alunos de escolas particulares realizaram um protesto no dia 16 deste mês. Eles se reuniram em frente à sede da Secretaria de Educação do Estado para pressionar pelo retorno das aulas presenciais na cidade. Contudo, a retomada das aulas presenciais nas escolas particulares pode ser na segunda quinzena de fevereiro ou início de março, segundo anúncio feito pelo prefeito Bruno Reis, na manhã desta quinta-feira (21).

 

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

 



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